O ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes confirma que não deixou de manter contato com os irmãos Sérgio e Luiz Augusto Bragança, dos quais é amigo há mais de 20 anos, quando exerceu cargos de direção no BC. Mas considera levianas e falsas as acusações de que os dois vendiam ao mercado por meio da empresa de consultoria Macrométrica, informações obtidas em conversas informais com ele, como divulga a revista Época desta semana. ‘‘É uma acusação sem evidências e sem provas’’, disse Lopes.
Para reforçar sua defesa, Lopes informou o telefone da casa de Sérgio Bragança, com quem dividiu, nos anos 80 sociedade na Macrométrica. ‘‘Ele mesmo pode desmentir estas acusações’’, disse. Em sua casa, em Petrópolis, na região serrana, o consultor não atendeu às ligações durante todo o dia de ontem. Em sua casa, no Rio, mandou avisar que não atenderia nenhum jornalista. ‘‘Pode escrever o que quiser, mas depois pode responder na Justiça por qualquer acusação’’, disse a pessoa que atendeu o último telefonema, que se identificou como ‘‘amiga da família’’.
‘‘São pessoas que conheço há muito tempo e continuo mantendo contato com o Sérgio, quando vou à Macrométrica, e com Luiz Augusto mais socialmente, mas não acredito nessa insinuação’’, disse Lopes, referindo-se aos dois irmãos. O ex-presidente do BC comentou, ainda, que a única razão dada para seu afastamento do banco foi a necessidade de mudar a imagem do Brasil no exterior, em meio à crise que ameaçava levar o País à mesma situação dos países asiáticos. ‘‘O que me foi dito é que por uma questão de credibilidade era conveniente mudar’’, informou. ‘‘Nunca se falou nada sobre problema de banco.’’
Cacciola - O presidente da Associação dos Lesados do Banco Marka, Luís Eduardo Fernandes, afirmou ontem que a entidade está buscando mecanismos legais para pedir na Justiça que os R$ 17 milhões remetidos para o exterior por Salvatore Alberto Cacciola um dia antes da quebra do Marka retornem ao País. ‘‘Nossos advogados estão estudando a possibilidade de alegar má-gestão para pedir que estes recursos sejam repatriados para cobrir parte do prejuízo dos cotistas’’, disse Fernandes.
Segundo ele, ainda não há um cálculo certo sobre o volume de investimentos perdido pelos cotistas. Até agora a associação reuniu extratos, principalmente de pequenos aplicadores, que chegam a R$ 3 milhões. ‘‘Mas é difícil saber a quantia exata, porque todo dia chegam mais extratos.’’ Cacciola, que depõe hoje na Superintendência da Polícia Federal, no Rio, passou o dia ontem em sua casa, num condomínio de luxo, na Barra da Tijuca. Às 12h25, ele tentou sair de casa, acompanhado de um rapaz, mas desistiu diante do assédio dos jornalistas. A bordo de uma camionete Toyota, ele deu voltas em alta velocidade pelas ruas do bairro e retornou ao condomínio.

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