BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso mandou avisar ontem, antes de conversar com o líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), que não vai aceitar adiar para o dia 5 a votação da reeleição. ‘‘O presidente não vai e não pode interferir na decisão tomada pelos líderes dos partidos que apóiam o governo, que contou com a participação, inclusive, do líder do PMDB na Câmara (Michel Temer), que ratificou a decisão’’, afirmou o porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral. O Palácio do Planalto confirmou o encontro de Fernando Henrique com Barbalho, ontem, às 21h30, no Palácio da Alvorada.
Enquanto o líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), se preparava para o encontro com o presidente, Fernando Henrique aproveitou uma cerimônia no Palácio do Planalto para mandar um recado cifrado à parcela do partido que se recusa a votar a emenda no calendário marcado pelo governo, no dia 29. ‘‘Há momentos em que se requer rupturas’’, disse no discurso de lançamento do Centro de Excelência em produção de petróleo em águas profundas. ‘‘E nos momentos em que as rupturas são necessárias, rompe-se’’, continuou o presidente.
Logo depois, quando os jornalistas perguntaram se era um recado ao PMDB, Fernando Henrique riu e respondeu: ‘‘Estou falando de ciência.’’ A decisão da convenção peemedebista de proibir a votação da reeleição antes da escolha dos novos presidentes da Câmara e do Senado, marcada para o dia 4, acabou com o calendário inicial dos governistas, que previa a votação em dois turnos na Câmara durante a convocação extraordinária. Depois da crise com o partido, ainda sem solução, o governo decidiu partir para o tudo-ou-nada: quer votar até a quarta-feira. Se sentir que não terá os 308 votos para aprovar, retira a emenda e pode convocar um plebiscito.
Na semana passada, depois do estrago provocado pela convenção, o presidente chamou a cúpula do partido no Planalto para um pito coletivo. Disse que se sentia traído, cobrou uma definição se o PMDB quer continuar no governo e ameaçou tomar os cargos federais que estão em poder dos peemedebistas. O PMDB não respondeu se quer ficar no governo, não entregou os cargos e continua irredutível em cumprir a ordem da convenção.

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