O vereador Orlando Bonilha (PDT) acabou se transformando em uma das grandes estrelas da sessão de julgamento de Antonio Belinati. Seu voto era uma incógnita e ele fez questão de aumentar o suspense, quando deixou passar sua vez e foi o último a se pronunciar, na votação do primeiro item da lista de sete acusações contra Belinati. Foi com o anúncio de seu ‘‘sim’’ que Antonio Belinati acabou tendo seu mandato cassado. Ele foi ovacionado pelos integrantes do Movimento pela Moralização na Administração Pública, que ocupavam as galerias.
‘‘Voto sim porque conheço a denúncia e também porque ele (Belinati) me bateu covardemente’’, declarou Bonilha após o término da votação. Ele se referia à acusação de tentativa de extorsão que o prefeito cassado fez, em abril deste ano. Na época, ele era presidente da Comissão Processante (CP) e renunciou ao cargo por causa da acusação de que teria pedido dinheiro a Belinati para votar contra a abertura de uma comissão.
Ontem, Bonilha fez questão de mostrar que ainda está fresca em sua memória o que ele garante que foi impingido por Belinati. ‘‘Quem bate esquece, mas quem apanha não esquece’’, relembrou. ‘‘Ele magoou a minha família, meus filhos. Belinati foi muito mau caráter.’’ O vereador chegou a falar que recebeu ameaças de que teria seu estabelecimento comercial depredado caso votasse a favor da cassação.
Aliado de primeira hora de Belinati, Bonilha começou a mudar de posição nas últimas semanas. De vilão – denunciado no início do mandato por depositar em sua conta particular cheques de salários de funcionários de seu gabinete – e integrante da bancada do prefeito cassado na Câmara, o vereador passou a herói para os membros do Movimento pela Moralização da Administração Pública de Londrina. (C.O.)

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