E Belinati se movimenta para voltar
O prefeito cassado de Londrina Antonio Belinati (PFL) está se mobilizando para recuperar o cargo e disputar a eleição. Ontem, ele telefonou para a Folha para informar o que julga ser uma vitória judicial: um despacho do presidente do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ), desembargador Sydney Zappa, não considera o juiz da 7ª Vara Cível de Londrina, José Cichocki Neto, impedido para julgar a suspeição do vereador Orlando Bonilha (PDT), na sessão que cassou o mandato de Belinati.
A suspeição do vereador foi requisitada pela defesa de Belinati, que quer anular a sessão, realizada nos dias 21 e 22 do mês passado. Os advogados questionam o voto do vereador, alegando que ele agiu por vingança, depois de ter sido acusado de tentativa de extorsão por Belinati. Bonilha nega. O despacho de Zappa foi dado ontem no final da tarde e o processo, que estava suspenso, voltará a ser analisado por Cichocki Neto nos próximos dias.
O telefonema de Belinati à Redação da Folha, em Curitiba, foi dado de Goiânia (GO), à tarde. O prefeito cassado disse que estava voltando de Brasília ele não viaja de avião. Na capital federal, ele conversou com seu advogado, Frederico Viegas de Lima, que confirmou à reportagem estar confiante no retorno de seu cliente ao cargo. Se a sessão de cassação for anulada, temos boas condições de reverter o quadro em Brasília, aposta.
O advogado também informou estar muito interessado em acompanhar a sessão de hoje que vai decidir pelo impeachment ou não do prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN). Por que para o Pitta é voto fechado e para o Belinati foi voto aberto? Não pode haver dois pesos e duas medidas, alegou.
Esse deve ser um dos principais argumentos da terceira investida jurídica da defesa do prefeito para pedir o cancelamento da sessão que decidiu sua cassação. O assunto teria sido discutido ontem entre o advogado e seu cliente. O primeiro recurso de Belinati para tentar anular o julgamento foi um mandado de segurança questionando o voto do presidente em exercício do Legislativo, Flávio Vedoato (PL). A defesa alegou que ele não poderia votar porque seria parte interessada, mas este argumento não foi acatado pelo juiz da 5ª Vara Cível, Alberto Júnior Veloso.
Fontes da Folha garantiram que Belinati, ao contrário do que afirmou recentemente à imprensa, de que não estava participando das articulações políticas para as próximas eleições, está empenhado pessoalmente nos contatos. O acordo eleitoral que mobilizou PDT e PPB na aliança que uniu Barbosa Neto e Assad Jannani teria sido fechado na chácara de Belinati. Barbosa Neto foi visto, inclusive, deixando a chácara no mês passado, quando alegou ter sido convidado pelo pefelista.
Um assessor de Belinati afirmou ontem à reportagem que, nos bastidores, corre a versão de que, se Belinati reverter a cassação e puder disputar a eleição pelo PFL, Farage seria colocado em escanteio na reta final da campanha. Ontem, a campanha do PFL sofreu a primeira mudança a renúncia da candidata a vice, Dora Barnabé (PSB) (ler texto acima). Pode não ser a última. Belinati voltaria para a disputa defendendo-se do escândalo AMA-Comurb durante a campanha, batendo na tecla de que não tinha conhecimento dos desvios. O rombo causado aos cofres públicos contabilizado até agora é de pelo menos R$ 16 milhões.
Embora o Ministério Público tenha denunciado Belinati por improbidade administrativa e o tenha apontado como o principal responsável pelos desvios de verba pública, ele insiste em dizer que dava autonomia aos seus subordinados. (P.Z.)





