Nas últimas declarações feitas à imprensa sobre as investigações e denúncias de recursos não-contabilizados, tanto integrantes da campanha petista pela reeleição quanto o advogado do partido em Londrina, João dos Santos Gomes Filho, insistiam no teor ''político'' da condução dos fatos, sem qualquer menção a nomes ou siglas. Ontem, o prefeito Nedson Micheleti e seu vice, Luiz Fernando Pinto Dias, se referiram, pela primeira vez, diretamente ao PSDB como autor da ''ingerência política''.
Nedson criticou o grupo tucano e o acusou de oportunismo político. Na avaliação dele, teria sido o PSDB o caminho direto da ex-assessora financeira da campanha do PT, Soraya Garcia, a prestar depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. Esta semana, o sub-relator da Comissão, deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR), confirmou que Soraya deve depor em breve ao grupo.
''Estão forçando a barra para que a senhora Soraya vá na CPI nacional em uma investigação que não tem nada a ver com a situação de Londrina. Há intenção política direta do PSDB para que tivesse motivos para ela ir lá. Ela agora se lembra de mais coisas e coloca o ex-ministro José Dirceu também na denúncia'', afirmou o prefeito, para completar na sequência: ''Isso mostra um oportunismo político muito forte deles''.
Nedson criticou a nova denúncia apresentada por Soraya esta semana, referente agora ao caixa oficial do partido na eleição passada. Conforme as informações levadas por ela ao promotor da 41 Zona Eleitoral, Miguel Sogaiar, coordenadores de campanha teriam cancelado recibos eleitorais encaminhando as doações para um caixa paralelo, não oficial. A Justiça Eleitoral já atendeu o pedido de abertura de novo inquérito e o encaminhou à Polícia Federal (PF). No início da semana o delegado que preside as investigações dos supostos recursos não-declarados, Kandy Takahashi, apresentou o saldo dos primeiros 30 dias e declarou haver cerca de R$ 135 mil não-contabilizados pelo PT, no número levantado pelos mais de 42 depoimentos tomados desde 1º de agosto.
''Estão considerando o que algumas pessoas (testemunhas) estão falando, não vou levar isso em consideração. Quero ver os documentos, analisá-los, ver se referem-se mesmo à minha campanha. Aí responderei'', apontou. ''Estamos distantes daquela denúncia (de R$ 6,5 milhões, feita por Soraya). Inflam a coisa. E agora coloca-se o (José) Dirceu na parada só para justificar a ida à CPMI. Trata-se, repito, de armação política do PSDB''.
Pinto Dias adotou o mesmo discurso de Nedson, mas citou nomes. ''Agora vai ficando mais clara e mais precisa a questão. Essas artimanhas políticas estão sendo apresentadas pelo grupo do PSDB, (Gustavo) Fruet e, lógico, o deputado de Londrina (Luiz Carlos) Hauly'', argumentou. ''Estão desde o início querendo relacionar a situação aqui em Londrina com a de Brasília. Há uma série de amarrações e evidências por trás disso tudo'', defendeu.

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