O ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PPS), pré-candidato à presidência da República, disse ontem em Cascavel que o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ‘‘arrebentou’’ com a poupança do País e com as contas públicas, pois no ano passado o governo obteve recorde de arrecadação mas seu déficit chegou a 6% do Produto Interno Bruto, ‘‘o que é uma erosão’’. Ciro Gomes, que fez palestra na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, referia-se ao presidente como ‘‘o professor Cardoso’’.
O pré-candidato não poupou ataques contra o governo, e, hábil decorador de números, observou que em 500 anos o Brasil acumulou uma dívida pública de R$ 61 bilhões, mas apenas nos últimos três anos elas passaram para R$ 257 bilhões. Citou ainda que no ano passado 31,5% ‘‘das riquezas geradas no País’’ foram transformados em impostos, mas ao mesmo tempo foi registrada a menor taxa de investimentos ‘‘desde a Segunda Guerra Mundial’’. Na Saúde, foram apenas R$ 21 bilhões, e na Educação R$ 11 bilhões.
Ciro Gomes também contestou as elevadas taxas de juros no País e classificou como ‘‘mentira da propaganda oficial’’ a alegação de que medidas econômicas que têm sido tomadas nos últimos tempos são prevenção à problemas como os que ocorreram com países da Ásia. O ex-governador (e ex-ministro) salientou que em outros países, como Argentina, Chile e México, menos desenvolvidos, assim como o Brasil, a crise nos chamados ‘‘tigres asiáticos’’ não se refletiu nos juros - na Argentina, a taxa é de 7,5%
Além de criticar o governo a partir de avaliações no plano econômico, Ciro Gomes marcou sua passagem por Cascavel por indelicadezas com jornalistas, durante entrevista coletiva, antes da palestra que fez na universidade. Ele reclamou de alguns que achava não estarem anotando direito o que dizia, exigiu de outros anotações detalhadas e deu outras ‘‘broncas’’, além de responder poucas perguntas e encerrar a entrevista em poucos minutos.

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