'É a economia que tem de servir à sociedade', diz Boulos
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quarta-feira, 02 de maio de 2018
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 

Curitiba O pré-candidato do Psol à Presidência da República e coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, 35 anos, defendeu a regulação do sistema bancário e a adoção de uma reforma trabalhista que privilegie os mais pobres. "Não é a sociedade que tem de servir à economia. É a economia que tem de servir à sociedade. Isso significa enfrentar privilégios e financiar o Estado brasileiro com a tributação do 1%, que hoje não paga nada; só leva", afirmou. Ele conversou com a FOLHA pouco antes de participar, na terça-feira (1º), do ato unificado do Dia do Trabalhador, em Curitiba.
Mais novo entre os concorrentes que se apresentam na disputa, o psolista contou que pretende fazer uma campanha militante, como forma de superar o pouco tempo de televisão e a ausência de marqueteiros. "A aliança que estamos fazendo não é pautada por acordos em sala fechada. É uma aliança pautada por identidade nas lutas, nas ruas e de projeto de País. Não queremos apresentar um projeto apenas para outubro deste ano. Nossa candidatura é para valer. Não é para marcar posição. Mas não vamos nos limitar a isso. É um projeto para a próxima geração, um projeto de futuro".
Defensor da libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que desde 7 de abril cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal (PF), Boulos ponderou que a união entre as esquerdas é uma união democrática e que nada tem a ver com as eleições. "São setores que entendem a gravidade do que está acontecendo e por isso acham necessário estar juntos". Entretanto, ele frisou que existem sim diversidades, sobretudo de pontos de vista, que não podem ser jogadas para debaixo do tapete. "Eu tenho respeito pelo Lula e nós somos solidários à situação que ele está passando. Isso nunca nos impediu de ter críticas às experiencias de governo do PT".
Apesar de enaltecer "avanços do ponto de vista de políticas sociais e investimentos públicos", o pré-candidato lembrou que questões como reforma política, democratização das comunicações e a reforma tributária progressiva não avançaram durante as gestões de Lula e de Dilma Rousseff (PT). "Nós somos aqueles que não estiveram no momento da distribuição do poder nos 13 anos de governo do PT, mas que estavam no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP) no momento da solidariedade, enquanto outros, muitos, só estiveram no momento da distribuição do poder. Isso expressa a esquerda que nós somos, uma esquerda solidária, que tem grandeza, que dialoga amplamente, mas que tem posições firmes, que tem lado e não abre mão".
'VIRAR A MESA'
Boulos também rejeitou a política de coalizão adotada pela maioria dos partidos brasileiros. "Precisamos virar essa mesa e construir um novo modelo de governabilidade, que conte com a participação das pessoas. Não é demagogia. É com plebiscitos, conselhos, como acontece em vários países do mundo, não só países bolivarianos ou latino-americanos. A Suíça faz dez plebiscitos por ano (
) Para nós só faz sentido disputar e governar se for, pela primeira vez na história da Nova República, depois de 30 anos, colocar o PMDB na oposição. Porque o PMDB entra governo e sai governo está ali chantageando a todos e dando as cartas, sem nunca ter eleito um presidente da República".
O líder do MTST reconheceu que as pessoas estão descrentes da política, porém, disse que é preciso buscar alternativas diferentes daquelas apontadas por grupos de direita e extrema-direita, representados por Jair Bolsonaro (PSL-RJ). "É verdade que a juventude está descrente de um projeto de futuro. Agora, nós não vamos construir um projeto de futuro fazendo voltar os piores momentos do passado. O Bolsonaro só grita. Está há 30 anos no Parlamento e que projeto de interesse nacional aprovou até hoje? É o cara que representa ideias atrasadas, nunca fez nada pela sociedade brasileira e tem a cara de pau de se apresentar como novidade. Queremos nesse processo ter a oportunidade de debater não no grito, não na intolerância, que é o campo dele, e sim no campo das propostas."


