O senador Geraldo Althoff (PFL-SC) apresentou ontem uma denúncia no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado contra o líder do Bloco Oposição na Casa, José Eduardo Dutra (PT-SE), pedindo que seja investigada a atuação do petista no episódio de violação do painel de votações na sessão que cassou o ex-senador Luiz Estevão.
‘‘É ridículo e covarde porque ele apresentou o pedido no apagar das luzes’’, reagiu Dutra, que lembrou que ele mesmo havia feito essa solicitação ao Conselho de Ética, que arquivou o caso. O novo presidente do órgão, Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), recebeu a representação e informou que a encaminhou à advocacia do Senado para que verifique ‘‘se há pertinência no pedido’’.
Mestrinho adiantou, no entanto, que o tema só será discutido em agosto. ‘‘Vou esperar o parecer da advocacia para decidir pelo acolhimento ou não da denúncia. Se for acolhido, vou criar uma comissão no conselho para examinar isso’’, avisou, afirmando que apenas cumpria o regimento. Ele evitou antecipar a posição, mas declarou que, se o parecer for favorável, será investigado.
A tendência entre integrantes do conselho, neste momento, é de não dar encaminhamento ao processo. Uma investigação contra Dutra agora serviria para desviar ou, pelo menos, dividir as atenções, hoje centralizadas no presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), contra quem pesam diversos tipos de acusações, muitas delas de desvio de verbas públicas.
‘‘Isso é missa encomendada. Só não sei se foi encomendada pelo Bornhausen (senador Jorge Bornhausen, presidente nacional do partido)’’, criticou Dutra, depois de lembrar que o objetivo de dar entrada no processo, no último dia de funcionamento do Senado, foi deixá-lo sob suspeição durante todo o recesso.
‘‘Apenas exercitei o meu direito de senador e de integrante do Conselho de Ética, pedindo apuração, já que todos os fatos indicam que ele teve conhecimento dos fatos e nada fez para impedir ou minorar as consequências do ocorrido, infringindo dispositivos constitucionais e regimentais’’, respondeu Althoff.
O ex-senador ACM considerou a atitude de Althoff ‘‘muito certa’’. Para ele, ‘‘não se trata de vingança, mas necessidade de se esclarecer todos os fatos’’. Já a senadora Heloísa Helena (PT-AL), pivô do caso, uma vez que ACM teria a acusado de ter votado contra a cassação de Estevão, disse que foi ‘‘uma demonstração de exacerbada vingança política, só que com atraso cronológico’’.

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