LisboaApenas começou a formação do governo pelo vencedor das eleições legislativas portuguesas e líder do Partido Social Democrata (PSD), José Manuel Durão Barroso, e já surgiram alguns graves problemas em seu caminho, a maioria dentro do seu próprio partido. O primeiro aviso das dores de cabeça que lhe aguardam em sua tarefa foi dado ontem por um de seus correligionários, o presidente do governo regional e líder do PSD em Madeira, Alberto João Jardim, que advertiu que as finanças regionais e locais em sua ilha são ‘‘intocáveis’’. Em plena madrugada, em sua volta da França, Jardim preveniu ao novo chefe de executivo que se não respeitarem sua opinião ‘‘vão ouvir falar de mim’’, e ameaçou que os quatro deputados do PSD no Parlamento português podem complicar a vida do governo Durão Barroso se não atenderem às suas preocupações.
‘‘Quero dizer que há três questões para o PSD de Madeira que são intocáveis: as finanças regionais, as locais e a função pública, porque não vamos consentir que se convertam os funcionários públicos em vítimas expiatórias’’, disse Jardim, conhecido pelos desencontros com seu próprio partido.
Jardim reconheceu a necessidade de reduzir a despesa pública, que foi uma das bandeiras da campanha eleitoral de Durão Barroso, mas opinou que ‘‘vamos reduzí-la naquilo que for menos eficiente’’.
Em alusão à coalizão que Barroso negocia com o conservador Partido Popular (PP) para completar a maioria parlamentar, Jardim declarou: ‘‘Façam bem as contas e considerem quantos deputados tem o PSD de Madeira na maioria’’
A polêmica com o líder de Madeira vem somar-se com o descontentamento de alguns líderes com as conversas para formar uma coalizão de governo com o PP, que tem entre seus principais expoentes o ex-primeiro-ministro e líder carismático do PSD, Aníbal Cavaco Silva. Cavaco mostrou sexta-feira novamente discretas reticências à aliança, sobretudo pela personalidade do líder do PP, Paulo Portas, protagonista de diversos desencontros no passado com o PSD, cujo caráter choca frontalmente com muitos dos líderes do partido de Durão Barroso e que parece seguro de que será ministro do novo executivo.
O líder do PP, apesar dos problemas com o PSD, ocupará com toda a segurança um ministério no novo gabinete. A princípio havia a suposição de que a pasta destinada ao partido será a Interior. No momento, porém, parece mais provável que seja o de Defesa, um departamento com sérios problemas financeiros que afloraram nas últimas semanas.
O apertado resultado eleitoral das eleições realizadas no domingo passado deixou Durão Barroso, que conseguiu 102 das 230 vagas da Assembléia da República, forçado a negociar uma aliança com o PP para incorporar seus quatorze deputados e formar maioria de centro-direita capaz de assegurar quatro anos de governo.

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