Apesar de sempre ter se vangloriado em público de que tem muita informação sobre o governo, o delegado Vicente Chelotti disse, em 1998, que isto é inverídico e que nunca tentou chantagear alguém com informações. A personalidade de Chelotti, no entanto, intriga várias pessoas que o conhecem.
Ao mesmo tempo em que passa uma imagem de durão, chora todas as vezes que é elogiado. Em princípio, o diretor-geral da PF estaria saindo não pelo que teria feito, mas pelas bravatas verbais. A área militar, que comandou por vários anos todos os serviços de inteligência, até mesmo nomeando oficiais para a diretoria da PF, não aceitou o que chama de ‘‘hierarquia paralela’’ e ‘‘corporativismo’’ na instituição. Aparentando irritação, um general disse que presidente da República não fica nas mãos de ninguém.
A conversa que Renan terá com Tuma é simbólica. O senador, que foi diretor-geral da PF, é uma espécie de padrinho do ex-diretor da Divisão de Repressão a Entorpecentes da PF Carlos Alberto Cavaleiro, demitido por Calheiros depois que desferiu críticas à atuação de Chelotti. Tuma não pretende apresentar o nome de Cavaleiro para a direção da PF. O governo está analisando alguns nomes para ocupar a direção da PF, até mesmo o de um general. Calheiros quer indicar o superintendente da PF em Alagoas, delegado Bergson Toledo. Mas o delegado disse que até ontem não tinha sido contatado por Calheiros.
O Palácio do Planalto pretende chegar a um consenso sobre alguém o menos corporativo possível, mas a demissão do delegado não deve tardar. Perguntado ontem sobre a possibilidade da exoneração de Chelotti, o ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, foi lacônico: ‘‘Quem sabe?’’, respondeu. ‘‘As fofocas não são a base das decisões do governo’’, acrescentou. O ministro também evitou comentar a atuação do delegado à frente da PF: ‘‘Eu não tenho de achar nada’’, afirmou.

mockup