A ''denúncia'' de que árvores derrubadas no Lago Igapó 2 por conta dos temporais de outubro estariam sendo vendidas a uma madeireira da cidade, de forma irregular, levou ontem o secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Eduardo Levy, a uma espécie de ''aula'', na Câmara de Vereadores de Londrina, sobre transporte e destinação desse tipo de resíduo pela pasta que chefia. O tom ameaçou subir quando o vereador Paulo Arildo (PSDB) levou o achado a plenário - na verdade, ''uma abordagem de um cidadão'' de que afirma ter sido alvo, no lago, enquanto caminhava -, questionando os mecanismos da Sema sobre suposta venda da madeira. O tucano ganhou o reforço de Zaqueu Berbel (PRP), que aproveitou a deixa para reclamar também da recente poda de árvores centenárias no Bosque Central.
De acordo com o secretário, nenhum tipo de comercialização de galhos, troncos ou demais resíduos das árvores cortadas ou derrubadas é feita pela Sema, a qual, afirma, apenas transporta o material ao aterro municipal do Limoeiro (Zona Leste) e o acondiciona lá em uma área específica - a destinação final é dada pelo órgão gerenciador do aterro, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que leiloa o material conforme o acúmulo.
''Quando se corta ou derruba árvore, a madeira inteira não sai inteira: é repicada, o que a faz ser aproveitada apenas para lenha'', explicou Levy, para completar: ''A secretaria leva isso ao depósito que há no aterro. Pode não ser a melhor destinação, queremos mudar isso - mas quem leiloa o resíduo é a CMTU. Se ocorresse qualquer coisa diferente disso, aí seria um desvio que precisaria ser apurado''. Indagado em plenário sobre controle do material cortado e levado ao depósito, o secretário garantiu que existe, ''diariamente''.
A Arildo, sobre as árvores do Igapó 2, Levy admitiu que, em duas situações de emergência, não só ali, como também na Zona Norte - pontos em que a coleta do resíduo é feita pela Visatec -, a Sema fez contato com lenheiros cadastrados na administração para que ajudassem, eles próprios, ''devido à situação de emergência'', a ir até essas localidades tirar os resíduos que havia lá.
O secretário não foi poupado de críticas pela poda promovida no Bosque - direcionadas, novamente, por Berbel, que foi convidado por Levy a ''dar um passeio com olhar crítico'' à localidade. ''A poda era necessária porque se precisava melhorar o arejamento na cerca entre a mata e o bosque.''
Após a sabatina dos dois vereadores, o secretário afirmou: todo o exposto em plenário poderia ter sido feito aos vereadores na Sema, se assim lhe fosse requisitado. ''Se de fato há alguma denúncia, acredito que a Câmara seja mesmo o palco para se debatê-la. Só fico sem graça de ver que tudo isso foi debatido em quase uma hora, em dia de pauta cheia.''

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