São Paulo - Anfitrião de um coquetel em apoio ao jornalista e escritor Fernando Moraes que teve o livro ''Na toca dos Leões'' censurado pela Justiça , o ministro José Dirceu (Casa Civil) acabou se transformando no alvo da solidariedade de seus convidados, no sábado à noite. Abraçado por amigos, repetia estar tranquilo e explicava que ficará no cargo, mas não negava que ''este é um momento difícil''. Dirceu procurou minimizar a preocupação com o teor da entrevista do presidente do PTB, Roberto Jefferson, à ''Folha'', segundo o qual avalizara o esquema do mensalão.
Desqualificando a acusação por falta de ''provas documentais e testemunhais'' , Dirceu negou que venha a pedir licença para se defender. ''Para quê? Não sou acusado de nada''. Mas, em conversas, admitiu que a crise ainda vá persistir, no mínimo, por um mês. E, numa referência aos tremores entre o comando do PT e ministros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, reconheceu: ''Está todo mundo muito tenso'', disse.
Apesar de frisar que não deixará a Casa Civil, Dirceu dá sinais contraditórios caso se dedique à reeleição de Lula. ''Em abril, se o Lula for candidato e eu for convidado (para coordenar a eleição), terei que decidir: sou candidato? Fico no governo? Posso ficar em qualquer lugar no governo. Não precisa ser na Casa Civil. O que faço na Casa Civil qualquer um faz''.

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