Duque está próximo de acordo com MPF
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de agosto de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba O acordo de colaboração premiada do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato de Souza Duque, que vem sendo negociado desde a semana passada, está a caminho de ser fechado. Na tarde de ontem, a defesa do engenheiro se reuniu com procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) na sede da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, pela primeira vez, para finalmente, "bater o martelo".
Duque está preso desde março e foi transferido para o Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). Ontem ele foi encaminhado para a carceragem da PF, mas ainda não fica definitivamente no local. Como foi apenas o primeiro encontro, conforme os depoimentos forem avançando, ele deixará o presídio comum e retornará para a PF. O encontro do ex-dirigente da estatal durou cerca de duas horas e ele teria prestado as primeiras informações sobre o megaesquema de desvio de dinheiro público. Nem a defesa ou os procuradores do MPF quiseram falar com a imprensa na saída da reunião.
Os ex-advogados de Renato Duque renunciaram à defesa do cliente nos processos que tramitam na Justiça Federal do Paraná na última sexta-feira. Alexandre Lopes de Oliveira, Renato de Moraes e João Balthazar de Matos foram avisados sobre a possibilidade de Duque negociar um acordo com o MPF e resolveram abandonar o caso. No mesmo dia, o advogado Marlus Arns foi contratado para tomar a frente das tratativas com os procuradores para uma colaboração premiada.
A intenção do investigado é entregar informações em volume suficiente para que a Justiça aceite a redução de penas, em caso de condenação, já que ele já é réu em cinco ações penais já em curso na Operação Lava Jato. A mais recente foi aceita pela Justiça Federal na última sexta-feira. Junto com o empresários Júlio Camargo e João Antônio Bernardi, o ex-diretor da Petrobras vai responder por crimes como corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Os depoimentos do ex-diretor da Petrobras deixam os corredores de Brasília de cabelo em pé, em especial dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) que temem que Duque possa repassar detalhes de sua relação com a legenda. Duque foi indicado ao cargo na estatal por decisão de José Dirceu e, segundo o delator Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da estatal, o PT ficava com parte da propina distribuída na sua área.
Caso seja oficializado, este seria o 24º acordo de delação premiada fechado dentro das investigações da Lava Jato. O MPF confirma que 21 colaborações foram oficializadas até o momento, as três restantes seguem em sigilo.


