Curitiba – O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato de Souza Duque e o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto, além de outras 25 pessoas viraram réus da Justiça Federal do Paraná ontem, após o juiz Sérgio Moro acatar a denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF). Eles vão responder pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Entre os denunciados e agora réus, 15 são empreiteiros, cinco são operadores, quatro são ligados aos operadores, dois são ex-diretores da Petrobras e um é ex-gerente. A denúncia envolve desvios de recursos da Petrobras em quatro obras: Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Refinaria de Paulínia (Replan), Gasoduto Pilar/Ipojuca e Gasoduto Urucu Coari. O MPF estimou em R$ 136 milhões o total de desvios envolvendo estes projetos. As empresas responsáveis por estas obras são OAS, Mendes Júnior e Setal.
Ainda de acordo com a denúncia, Vaccari participava de reuniões com Duque para tratar de pagamentos de propina, que eram pagas por meio de doações oficiais ao PT. Dessa maneira, os valores chegavam como doação lícita, mas eram oriundas de propina. O MPF aponta que foram 24 doações em 18 meses, no valor de R$ 4,2 milhões.
"Há prova documental do repasse de parte da propina, R$ 4,2 milhões, em doações eleitorais registradas ao Partido dos Trabalhadores (PT), o que teria sido feito por solicitação de Renato Duque e de João Vaccari", apontou o magistrado.
Os 27 réus desta ação penal são: Adir Assad; Agenor Franklin Magalhães Medeiros; Alberto Elísio Vilaça Gomes; Alberto Youssef; Ângelo Alves Mendes; Augusto Ribeiro de Mendonça Neto; Dario Teixeira Alves Júnior; Francisco Claudio Santos Perdigão; João Vaccari Neto; José Aldemário Pinheiro Filho; José Américo Diniz; José Humberto Cruvinel Resende; Julio Gerin de Almeida Camargo; Lucélio Roberto Von Lehsten Goes; Luiz Ricardo Sampaio de Almeida; Mario Frederico Mendonça Goes; Marcus Vinicius Holanda Teixeira; Mateus Coutinho de Sá Oliveira; Paulo Roberto Costa; Pedro José Barusco Filho; Renato de Souza Duque; Renato Vinicios de Siqueira; Rogério Cunha de Oliveira; Sergio Cunha Mendes; Sonia Mariza Branco; Vicente Ribeiro de Carvalho e Waldomiro de Oliveira.
"Praticamente todo o fluxo financeiro narrado pelo MPF na denúncia, da Petrobras, passando pelas empreiteiras e consórcios, até as contas das empresas de fachada utilizadas pelos intermediadores, encontra respaldo na prova documental constante nos autos, como contratos e transferências bancárias", frisou Moro em seu despacho.

Ofício

No mesmo despacho em que acatou a denúncia do MPF, o juiz Sérgio Moro também solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que, se possível, em 15 dias, preste informações sobre doações registradas efetuadas por seis empresas de propriedade do empresário Augusto Ribeiro de Mendonça, que fechou acordo de colaboração premiada, e que fazem parte do Grupo Setal. Foram as primeiras empresas a fecharem um acordo de leniência dentro da Operação Lava Jato. São elas: SOG Óleo e Gás S/A; Setec Tecnologia S.A; Projetec Projetos e Tecnologia Ltda.; Tipuana Participações Ltda.; PEM Engenharia Ltda. e Energex Group Representação e Consultoria Ltda.

Porsche

O Porsche Cayman branco (2010/2011) apreendido na casa da doleira Nelma Mitsue Penasso Kodama foi arrematado por R$ 206 mil em um leilão público na tarde de ontem, em Curitiba. O dinheiro arrecadado será depositado na conta bancária vinculada ao processo judicial e permanecerá à disposição do juiz até o julgamento final e sentença, podendo ser revertido à União, caso a condenação transite em julgado, ou devolvido, se revertida a situação. Este é o primeiro bem apreendido na Lava Jato que foi a leilão. (R.C.J.)

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