Sucursal de Curitiba

Arquivo Folha‘‘Sordidez’’Duque: ‘‘reuniões clandestinas’’ e ‘‘empréstimos subsidiados’’, numa verdadeira ‘‘trama sórdida’’Os tucanos contrários ao ingresso do governador Jaime Lerner no PSDB acusaram ontem o Palácio Iguaçu de ‘‘cooptar e corromper’’ os membros do diretório estadual que vão estar analisando o assunto na próxima segunda-feira, em Curitiba. Uma nota oficial distribuída pelo presidente, Hélio Duque acusa o governador de estar promovendo ‘‘reuniões clandestinas no Palácio Iguaçu’’ e oferecendo cargos comissionados, empregos públicos e vantagens - como ‘‘empréstimos a juros subsidiados junto ao conglomerado Banestado’’ - para garantir o voto dos delegados.
Dois outros ‘‘signatários’’ do documento se negaram a confirmar as acusações, em entrevistas a jornalistas durante a tarde. Num primeiro contato, o ex-governador Álvaro Dias disse que não assinou a nota nem foi consultado sobre ela. Horas depois, a assessoria de Duque tentava reverter a negativa. Já o deputado federal Flávio Arns foi mais incisivo. Negou que tenha autorizado a inclusão de seu nome no documento emitido do PSDB. ‘‘Não autorizei ninguém a falar por mim, até porque acho que este não é o caminho’’, afirmou.
O staf do governador não se manifestou sobre a nota intitulada ‘‘A sórdida trama do Palácio Iguaçu’’, mas os tucanos pró-Lerner, liderados pelo deputado Beto Richa e pelo ex-prefeito de Campo Mourão Rubens Bueno, saíram em defesa do governador. No início da noite, Bueno e Richa devolveram as acusações com outra nota, avalizada pela bancada estadual e pelos prefeitos tucanos Jairo Gianoto (Maringá), Antonio Teruo (Paranavaí), Vitor Hugo Burko (Guarapuava), Tauilo Tezelli (Campo Mourão), e Marinês Botelho (Mandaguari).
‘‘As vozes contrárias são uma pequena minoria e o governador Jaime Lerner já está formalmente convidado a ingressar no PSDB pela porta da frente’’, reagiu o grupo pró-Lerner, que fez um histórico dos apoios políticos do governador. ‘‘Ele (Lerner) não é um estranho no ninho dos tucanos’’, sustenta na nota.
Os ‘lerneristas’ criticam ainda as acusações dos ‘contras’ ao sugerir que membros do diretório do PSDB estariam ‘‘comercializando apoios’’. ‘‘Isso agride o próprio partido. Lerner vem para o PSDB para somar, submetendo-se às nossas instâncias e à nossa histórica organização partidária’’, afirmam. Foi a primeira vez que os ‘lerneristas’ tucanos se manifestaram oficialmente durante toda a novela.
O governador Jaime Lerner vai ter que explicar a novela que envolve a sua indefinição partidária para a direção nacional do PDT. A executiva nacional, presidida pelo deputado federal Neiva Moreira e pelo presidente de honra do partido, o ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, reúne-se na próxima semana para analisar o caso. Quem pede a convocação é o secretário das Relações Internacionais do PDT, Luiz Alfredo Salomão.

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