Duque acusa Lerner de comprar votos
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quarta-feira, 07 de maio de 1997
Leandro Donatti 
Sucursal de Curitiba
Arquivo FolhaSordidezDuque: reuniões clandestinas e empréstimos subsidiados, numa verdadeira trama sórdidaOs tucanos contrários ao ingresso do governador Jaime Lerner no PSDB acusaram ontem o Palácio Iguaçu de cooptar e corromper os membros do diretório estadual que vão estar analisando o assunto na próxima segunda-feira, em Curitiba. Uma nota oficial distribuída pelo presidente, Hélio Duque acusa o governador de estar promovendo reuniões clandestinas no Palácio Iguaçu e oferecendo cargos comissionados, empregos públicos e vantagens - como empréstimos a juros subsidiados junto ao conglomerado Banestado - para garantir o voto dos delegados.
Dois outros signatários do documento se negaram a confirmar as acusações, em entrevistas a jornalistas durante a tarde. Num primeiro contato, o ex-governador Álvaro Dias disse que não assinou a nota nem foi consultado sobre ela. Horas depois, a assessoria de Duque tentava reverter a negativa. Já o deputado federal Flávio Arns foi mais incisivo. Negou que tenha autorizado a inclusão de seu nome no documento emitido do PSDB. Não autorizei ninguém a falar por mim, até porque acho que este não é o caminho, afirmou.
O staf do governador não se manifestou sobre a nota intitulada A sórdida trama do Palácio Iguaçu, mas os tucanos pró-Lerner, liderados pelo deputado Beto Richa e pelo ex-prefeito de Campo Mourão Rubens Bueno, saíram em defesa do governador. No início da noite, Bueno e Richa devolveram as acusações com outra nota, avalizada pela bancada estadual e pelos prefeitos tucanos Jairo Gianoto (Maringá), Antonio Teruo (Paranavaí), Vitor Hugo Burko (Guarapuava), Tauilo Tezelli (Campo Mourão), e Marinês Botelho (Mandaguari).
As vozes contrárias são uma pequena minoria e o governador Jaime Lerner já está formalmente convidado a ingressar no PSDB pela porta da frente, reagiu o grupo pró-Lerner, que fez um histórico dos apoios políticos do governador. Ele (Lerner) não é um estranho no ninho dos tucanos, sustenta na nota.
Os lerneristas criticam ainda as acusações dos contras ao sugerir que membros do diretório do PSDB estariam comercializando apoios. Isso agride o próprio partido. Lerner vem para o PSDB para somar, submetendo-se às nossas instâncias e à nossa histórica organização partidária, afirmam. Foi a primeira vez que os lerneristas tucanos se manifestaram oficialmente durante toda a novela.
O governador Jaime Lerner vai ter que explicar a novela que envolve a sua indefinição partidária para a direção nacional do PDT. A executiva nacional, presidida pelo deputado federal Neiva Moreira e pelo presidente de honra do partido, o ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, reúne-se na próxima semana para analisar o caso. Quem pede a convocação é o secretário das Relações Internacionais do PDT, Luiz Alfredo Salomão.


