Brasília Os políticos que sempre imaginaram que o Palácio do Planalto seria dominado pela reconhecida força do ministro-chefe do Gabinete Civil, José Dirceu, começaram a perceber nesta semana que estavam enganados. Há uma força que se contrapõe à figura de Dirceu: é o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, encarregado, entre outras missões recebidas do chefe, dos contatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a sociedade civil. E, pela agenda da segunda semana de trabalho do presidente, ele já saiu na frente de Dirceu: Lula e vários de seus ministros viajarão para cidades pobres do Nordeste no fim de semana para dar o ponta pé inicial do programa Fome Zero. O primeiro feito de Dulci.
Típico mineiro que trabalha em silêncio, Luiz Soares Dulci sempre foi do time moderado do PT, partido que ajudou a fundar, em 1980. Mas na transmissão de posse, na quinta-feira, surpreendeu a todos ao exigir do presidente do PT, José Genoino (SP), o compromisso de manter o partido na linha de esquerda.
Ex-professor de Português, Dulci é frequentemente escalado para colaborar na redação de discursos do presidente Lula. No da posse do dia 1º, no Congresso, coube ao secretário-geral fazer a revisão final no texto. Deixou na medida, sem exageros, a crítica do novo presidente ao seu antecessor Fernando Henrique Cardoso.
Dulci era secretário-geral do PT até assumir a Secretaria-Geral da Presidência. Para tanto, percorreu um longo caminho. Depois que Lula escalou o deputado José Dirceu (SP) para ministro-chefe da Casa Civil, Dulci era o candidato natural à presidência do PT. Mas insistiu em ir para o governo. Conseguiu. E em condições de igualdade, com funções bem divididas. No Planalto, ocupará um gabinete com acesso direto à sala do presidente Lula.
Para ele, a tarefa no Palácio do Planalto não é espinhosa, apesar de os primeiros boatos do novo governo darem conta de que ele e Dirceu disputam espaço. Na prática, Dulci e Dirceu que também é mineiro tornaram-se aliados em 1995. Naquele ano, Dirceu foi eleito pela primeira vez para o comando do PT e Dulci virou vice-presidente.
Em 1999, no 2.º Congresso Nacional do PT, em Belo Horizonte (MG), o ex-professor preparou um calhamaço em que analisava os rumos do principal partido de esquerda do País numa sociedade capitalista. Na ocasião, o PT já se preparava para enrolar a bandeira do socialismo. Em 1982, com apenas 25 anos, foi eleito deputado federal por Minas Gerais.
No ninho petista, nunca mudou de lado: sempre foi da corrente Articulação/Unidade na Luta, a mesma de Lula e Dirceu. Dulci é discretíssimo e considerado pouco vaidoso pelos amigos mais próximos, mas quem sabe exatamente o tamanho da tarefa dada a ele pelo presidente Lula aposta que o mineiro será sim um dos homens fortes do governo. E talvez o mais influente do chamado ''núcleo palaciano''.

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