Buenos Aires- O governo do presidente argentino Eduardo Duhalde se propõe três objetivos sendo que o primeiro deles é ‘‘garantir a paz social’’, afirmou ontem o chefe de gabinete, Jorge Capitanich. Na primeira coletiva do novo governo, Capitanich disse que os três objetivos das novas autoridades nacionais são ‘‘garantir a paz social, a reconstrução da autoridade política e assentar as bases para um novo modelo econômico e social’’.
Duhalde foi escolhido terça-feira pelo congresso para superar a grave crise institucional provocada pela renúncia de dois presidentes em dez dias após explosões de uma rebelião social que deixou 30 mortos.
Juramento
O gabinete argentino que foi formado pelo presidente peronista Eduardo Duhalde prestou juramento, ontem, na Casa do Governo. Duhalde pretendia um gabinete de ‘‘unidade nacional’’ mas não o conseguiu em sua totalidade já que a maioria dos integrantes de sua equipe são peronistas, mas respondem à sua linha interna visto que não se pode juntar a representantes dos demais setores do Partido Justicialista (PJ). Entre os extrapartidários, destacam-se os ministros da Justiça, Jorge Vanossi, e da Produção, Eduardo de Mendiguren.
Vanossi é um constitucionalista de origem radical (oposição), mas que entra para o gabinete a título pessoal e não como representante da União Cívica Radical (UCR). De Mendiguren é um empresário do setor têxtil, que acaba de deixar a presidência da União Industrial Argentina (UIA) para juntar-se ao governo, tendo tido anteriormente vínculos com Duhalde, com quem lançou a formação do Grupo Produtivo, que vem pedindo a desvalorização do peso para a reativação econômica do país.
Ainda não foram designados os titulares da Defesa, Saúde, Educação e Desenvolvimento Social.
Duhalde colocou em funcionamento um gabinete ‘‘inicial’’ e definirá sua estrutura oficial nas próximas semanas, esclareceu o chefe de gabinete, Jorge Capitanich.
Relações Exteriores
Carlos Ruckauf, ex-vice-presidente e atual governador da província de Buenos Aires, é o ministro do Exterior do governo do presidente Eduardo Duhalde. Nascido em 10 de julho de 1944, casado e pai de três filhos, Ruckauf é advogado, como a maioria dos políticos argentinos, formado na Universidade Nacional de Buenos Aires (UBA).
Entre os peronistas, Ruckauf era considerado um forte candidato à presidência no caso de eleições antecipadas.
No dia 31 passado, após a renúncia do presidente interino, Adolfo Rodríguez Saá, Ruckauf defendeu a formação de ‘‘um governo de salvação nacional, com um programa que estabeleça pontos concretos para superar a atual crise’’.
Na carta de renúncia ao governo de Buenos Aires Ruckauf promete ‘‘trabalhar para a recomposição das relações da Argentina com o mundo, onde a ativa participação argentina será um dos pilares do crescimento e da recuperação’’ do país.
(As questões econômicas da Argentina estão na Folha Economia)

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