Buenos Aires- O peronista Eduardo Duhalde assumiu ontem a presidência da Argentina numa cerimônia realizada na Casa do Governo, depois de ser eleito na véspera pela Assembléia Legislativa, com mandato até dia 10 de dezembro de 2003.
A breve cerimônia foi realizada no Salão Branco da Casa do Governo na presença de dirigentes políticos, entre eles vários opositores radicais, empresários e familiares do novo presidente.
Ao ser proclamado presidente pela Assembléia Legislativa ele anunciou que dará impulso à formação de um ‘‘governo de unidade nacional’’.
Seu gabinete é formado por políticos de outras forças e também extrapartidários, disseram fontes do peronismo à AFP.
Duhalde, 60 anos, recebeu a faixa das mãos do titular da Câmara dos Deputados, Eduardo Camaño. O novo presidente foi eleito com a maioria dos votos da Assembléia Legislativa, em plenário de ambas Câmaras do Parlamento, para completar o mandato de Fernando De la Rúa, que renunciou no dia 20 de dezembro.
Centenas de seus partidários foram à Praça de Maio, em frente à Casa do Governo argentino, para festejar a posse do quinto presidente em 12 dias.
A Casa do Governo, em frente a qual houve violentas manifestações na semana passada, estava cercada por uma dupla barreira, que mantinha o povo a cem metros de distância, comprovou a AFP.
As colunas de militantes peronistas chegaram ao local do centro industrial de Buenos Aires, distrito do qual o novo presidente foi governador entre 1991 e 1999 e que é seu principal bastião político.
Descontentamento Uma nova onda de ‘‘panelaços’’ teve início na madrugada de ontem, em vários pontos da cidade de Buenos Aires. Demonstrando a mesma espontaneidade com que saíram às ruas para forçar a renúncia do presidente Fernando De la Rúa e depois a do peronista Adolfo Rodríguez Saá, os argentinos protagonizaram um novo ‘‘panelaço’’, junto com motoristas que acionaram suas buzinas, constatou a AFP em várias ruas da cidade.
‘‘As pessoas não querem Duhalde, que foi vice-presidente de (Carlos) Menem, e faz parte do sistema’’, explicou à AFP Teobaldo Monserrat, 52 anos, enquanto alimentava com papelão uma fogueira acesa na Avenida Rivadavia, a poucas quadras do parlamento.

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