Curitiba - Gustavo Fruet (PDT) acusa o ex-prefeito de Curitiba Luciano Ducci (PSB) de ter entregue a prefeitura com uma dívida de R$ 571 milhões, dos quais R$ 403 milhões não teriam previsão orçamentária. Documentos que atestariam a situação foram entregues ontem ao Ministério Público (MP) do Paraná pelo procurador-geral do município, Joel Macedo Neto. Fruet quer que o MP investigue se houve crime de responsabilidade fiscal.
O prefeito de Curitiba reclama que terá de pedir novo crédito especial à Câmara de Vereadores para quitar os R$ 403 milhões, dos quais apenas R$ 54 milhões já foram pagos. Fruet diz que nesse valor estão 2.295 despesas, contraídas junto a 433 fornecedores. Só depois que os vereadores atestarem a existência da dívida, incluindo-a no orçamento da cidade, ela poderá ser paga. ''Juridicamente o débito não existe'', diz Fruet em nota oficial.
Fruet diz que recebeu a prefeitura com ''o maior volume de pendências financeiras da história de Curitiba''. De 2004 para 2005, por exemplo, as pendências foram de R$ 41,6 milhões, ''pouco menos de 10% do valor encontrado agora''.
Irritado com a situação, o ex-prefeito Luciano Ducci respondeu dizendo que entregou a prefeitura com R$ 416 milhões em caixa. ''Esse número é oficial e foi apresentado publicamente pela atual Secretária de Finanças do município, Eleonora Fruet, irmã do atual prefeito, na Câmara Municipal, no dia 27 de fevereiro passado. O atual prefeito, no entanto, omite essa informação em todas as entrevistas como estratégia de maquiar os números e confundir a opinião pública'', rebate Ducci.
Derrotado já no primeiro turno da eleição de 2012, o fraco desempenho de Ducci nas urnas encerrou um ciclo político de 20 anos na Prefeitura de Curitiba. Alinhado com a oposição a esse grupo, Fruet se desentendeu com o governador Beto Richa (PSDB) quando ele lhe negou espaço na sigla para disputar a prefeitura. Beto bancou Ducci, depois liberou seus apoiadores para trabalharem por Ratinho Júnior (PSC) no segundo turno, que acabou transformado em secretário de Estado.
''Assustar as pessoas e apontar um culpado é um truque político antigo'', queixa-se Ducci, hoje dedicado a organizar o PSB para 2014, quando talvez o partido tenha candidato próprio à presidência da República (Eduardo Campos, governador de Pernambuco). ''(Fruet quer) ganhar tempo precioso para compreender o funcionamento do município e suprir a própria inexperiência'', ataca Ducci, lembrando parte dos argumentos usados por ele contra Fruet na campanha eleitoral.
Ao receber a documentação, Paulo Ovídio Lima, coordenador da Promotoria de Justiça de Proteção do Patrimônio Público de Curitiba, disse que irá instaurar procedimento investigatório e inquérito civil. Segundo ele, a análise da documentação poderá ser feita por auditores do Ministério Público em conjunto com o Tribunal de Contas. ''São milhares de documentos. Teremos que examinar quem eram os ordenadores de despesas, a rede de responsáveis, para, se for o caso, definir as pessoas a serem chamadas a prestar esclarecimentos'', afirmou.

mockup