Curitiba Pelo menos duas das quatro chapas que deverão concorrer em setembro à presidência do diretório estadual do PT lançaram ontem candidaturas em Curitiba e Maringá. O candidato da ala mais à esquerda do PT, Tadeu Veneri, que conta com o apoio de grupos independentes, pautou seus discursos na necessidade de uma mudança de postura dentro do partido. Ele fez uma reflexão profunda dos caminhos adotados pelas lideranças nacionais. ''As direções priorizaram o partido como sendo um PT de resultados, que tinha que sair vencedor, absoluto. Este pragmatismo moldou nossos caminhos, que se afastaram das lutas dos movimentos sociais e sindical e privilegiaram a disputa pelo parlamento'', ponderou Veneri.
O deputado estadual tem o apoio de Clair da Flora Martins, uma das deputadas federais que resolveram primeiro colocar o nome dentro da CPI dos Correios para fazer uma investigação aprofundada na cúpula do governo federal. ''Essa tem sido uma disputa como a de David e Golias, nos estudos bíblicos. Isto não nos assusta. Faremos uma campanha elegante, mas deixando explícita nossas diferenças de concepção de partido'', afirmou a deputada. A campanha se pautou no slogan ''Para o PT voltar a ser PT''. Também foi apresentada uma chapa com os nomes dos 71 integrantes que disputarão o diretório estadual no Processo de Eleição Direta. As inscrições para a disputa do diretório estadual serão encerradas amanhã.
A ala mais forte dentro do partido é a do deputado federal André Vargas, que lançou sua candidatura à reeleição em Maringá. Ele conta com o apoio de lideranças do cenário político ligadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como o ministro Paulo Bernardo (do Planejamento, Orçamento e Gestão) e o presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek. Vargas quer manter os contatos feitos nas eleições passadas em todo o Paraná para o avanço do partido nos municípios ainda não conquistados. A estratégia é ter candidatos em praticamente todos os municípios e fazer coligações onde se fizer necessário.
Vargas ainda aposta num fortalecimento do PT para as eleições do ano que vem, quando se disputará o governo do Paraná e uma vaga para o Senado. Existe a expectativa de lançamento de candidatura própria. Nas últimas eleições, o PT apresentou Padre Roque Zimermann como candidato ao governo do Paraná no primeiro turno e apoiou o PMDB de Roberto Requião no segundo turno.

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