Dualde reclama um pacto social
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2002
France Presse 
Buenos AiresO presidente argentino Eduardo Duhalde convocou, na noite de segunda-feira, um pacto social para enfrentar a crise. Em pronunciamento à nação, gravado na igreja Santa Catalina de Buenos Aires, Duhalde disse que a convocação, dirigida a empresários, sindicatos e organizações sociais, é uma iniciativa para evitar a queda que nos põe no limite da anarquia e da violência fraticida. Duhalde, que assumiu em 1º de janeiro, disse que o pacto social implica no começo de soluções estáveis para um projeto exigido pela Nação e pela cidadania.
O presidente estava acompanhado do titular da Conferência Episcopal Argentina, Estanislao Karlic, e do representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o espanhol Carmelo Angulo.
Ao descrever a gravidade da crise argentina, Duhalde apontou que o diálogo social tem como ponto de partida um presente de exclusão extrema. Terminar com a indigência é o passo mínimo para o pacto social, disse o presidente, propondo também uma reforma constitucional.
Mais de um terço da população total da Argentina, cerca de 14 milhões de pessoas, vivem em condições de pobreza. O desemprego chega a 18,3% da população economicamente ativa, e a recessão já dura 43 meses consecutivos, sem um horizonte de crescimento econômico para 2002, segundo estimativas oficiais.
Colaboremos todos, com entrega e esperança. A Argentina que nos deu tanto, hoje nos chama, precisa de nós, disse Duhalde. O presidente também enfatizou que não será candidato em 2003, apenas irá completar o mandato de Fernando de la Rúa, que renunciou em 20 de dezembro.
No discurso de 13 minutos, Duhalde disse que terminou escandalosa e perigosamente um ciclo de ilusões argentinas, e destacou sua vontade de superar a crise nacional, na qual nos atiraram ineptos e corruptos, aparentemente em resposta ao ex-presidente Carlos Menem (1989-99).
Na semana passada Menem disse que Duhalde era inepto, e criticou a decisão de desvalorizar o peso enterrando a convertibilidade instituída por seu governo em 1991.
A Argentina atravessa a pior crise econômica e social das últimas décadas.


