Paulo Pegoraro
De Cascavel
O procurador da República em Cascavel, Celso Antônio Três, estima que 20% das remessas de dinheiro ao exterior, de US$ 124 bilhões em todo o País – US$ 24,8 bilhões – no período de 92 e 98, tenham origem no narcotráfico. ‘‘Seguramente, a metade do gigantesco montante não foi submetida à tributação’’, afirmou o procurador, que se reuniu ontem em Cascavel com os deputados Ângelo Vanhoni (PT), Algaci Túlio (PTB) e Tiago Novaes (PTB). Os parlamentares integram a Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembléia, que desdobra no Paraná ações da CPI do Narcotráfico.
Três é considerado um dos maiores especialistas do País no rastreamento sobre a lavagem de dinheiro, via casas de câmbio e as contas bancárias CC-5 (para remessa ao exterior). Em junho, o procurador já havia assessorado a CPI dos Bancos nas investigações sobre remessas para o exterior.
Só em Cascavel, foram lavados US$ 450 milhões. As investigações já resultaram em 40 denúncias formalizadas à Justiça Federal e sequestro de bens de 15 envolvidos. Três observa que entre as hipóteses para a origem do dinheiro lavado estão sonegação fiscal, evasão de divisas, jogo, corrupção e outros tipos de crime, principalmente o narcotráfico.
Sua preocupação com a questão das drogas se concentra em um processo envolvendo três empresários de Toledo (45 quilômetros a oeste de Cascavel), acusados de terem mandado para a Espanha 1.190 quilos de cocaína, em 96. O procurador nunca se voltou especialmente à questão do narcotráfico, porque, segundo ele, demandaria demoradas e complexas investigações com a ajuda da Polícia Federal, e, em muitos casos, implicaria na perda de prazos para a denúncias de envolvidos.
Três acredita, porém, que investigações profundas sobre a lavagem de dinheiro podem levar à identificação da origem escusa do dinheiro e ao narcotráfico. Ele repassou aos membros da CEI vasta documentação a respeito, juntada em cerca de três anos de trabalho.
Vanhoni, que preside a CPI, concordou com a acusação do promotor de que o Banco Central ‘‘sempre foi omisso’’, ao não monitorar as remessas de dinheiro para o exterior. O deputado disse que as informações obtidas com Três ‘‘são valiosas e precisam de amplo desdobramento nas investigações’’. Vanhoni fez ainda uma revelação importante: há informações de que o crime organizado que atua em Campinas (SP) tem vinculações com lavagem de dinheiro feita em Cascavel e em Foz do Iguaçu, por onde passaram US$ 5 bilhões.
A CEI pretende apurar ainda o envolvimento de policiais e membros do Judiciário. ‘‘Há notícias de que no Paraná, assim como já se comprovou em alguns Estados, houve relaxamento de prisão de envolvidos com organizações criminosas’’, argumentou Vanhoni.Estimativa do procurador da República em Cascavel é de que US$ 24,8 bilhões de remessas do País desde 92 se originaram do narcotráfico
Edson MazzettoMAIS PISTASParlamentares da CEI (Vanhoni, Algaci e Tiago) recebem informações do procurador Celso Três

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