Dou tranquilamente nota 10 à minha administração
Folha - No livro As cidades que dão certo, Campo Mourão é citada como destaque na educação. O senhor acha que a educação é o maior trunfo de sua administração?
Bueno - O maior trunfo da administração foi a auto-estima que a população adquiriu nesse período. Há quatro anos a população reclamava muito. Deixava-se muito a desejar com relação ao amor, às causas, ao conteúdo, à história e ao bem-estar da cidade. Hoje, a população fala bem e briga pela cidade. Essa é a maior conquista de todas: a mudança da mentalidade. E eu também mudei junto.
Folha - Mas a educação foi priorizada?
Bueno - Sem dúvida. Os números provam isso. A repetência e a evasão estavam entre 14% e 18%, hoje estão entre 6% e 8%, contra o Paraná com uma média de 14% e a média nacional que está acima dos 30%. Na Escola Parigot de Souza, de 500 alunos apenas três se evadiram este ano. É menos de 1% de evasão. É um número fantástico.
Folha - Grande parte das prefeituras estão quebradas e com servidores sem receber. Qual é o segredo de Campo Mourão?
Bueno - Firmeza. Firmeza na condução do processo, tanto do ponto de vista administrativo quanto financeiro, para chegarmos também à firmeza na condução política. Se não há um determinado apoio da sociedade para este ou aquele evento, você não consegue trabalhar e ter respaldo para aquilo que se está fazendo.
Folha - Recursos existem?
Bueno - Existem em todas as áreas. Para bons projetos não faltam recursos. Para a boa administração, não falta o contribuinte que paga em dia. Nos últimos três anos, temos uma média de adimplência de 94,3%. Ora, se apenas 5,7% não pagam os impostos municipais é porque têm problemas de ordem judicial ou porque se mudou daqui e perdeu interesse pela cidade.
Folha - Encerrada sua administração em Campo Mourão, ficou alguma frustração, alguma coisa por fazer?
Bueno - Ninguém é perfeito para fazer tudo o que imagina e também não tem tanta imperfeição para fazer tão imperfeito quanto poderia fazer. Conseguimos atingir o objetivo maior, que era executar obras importantes que a cidade exigia.
Folha - De zero a dez, que nota o senhor daria para a sua administração?
Bueno - Dou dez, tranquilamente. Fomos democratas durante todo o período, abrimos as contas da Prefeitura, fomos inflexíveis no relacionamento com o Poder Legislativo e com os inadimplentes do município e com todos aqueles que tentaram jogar contra o interesse público. Procuramos trabalhar no dia-a-dia, do ponto de vista da seriedade, do zelo pelo dinheiro, evitando desperdício, paralelismo de ação, superposição de trabalho, paternalismo de qualquer ordem e clientelismo. Dou nota dez em homenagem aos servidores públicos. Eles foram os mais sacrificados no começo do governo e foram os que mais sofreram a nossa pressão para podermos recuperar o tempo perdido.
Folha - O novo plano de cargos e salários, que aumenta a folha de pagamento da prefeitura em 12%, não trará problemas financeiros ao município?
Bueno - Não. Se você pode programar despesa, também pode programar receita. O planejamento de receita está perfeitamente dentro desse limite de 12%. A partir do ano que vem, o investimento no servidor público de Campo Mourão será de R$ 1 milhão por ano. É a maneira de se estabelecer uma lei justa, discutida amplamente com a sociedade. O servidor não vai mais ter que depender de favor de chefe de divisão, de secretário, de vereador e de prefeito. Se estabelece uma forma justa onde a evolução funcional de cada um depende exclusivamente do seu trabalho.
Folha - A maior crítica de seus opositores é sobre o valor do IPTU. O senhor não acha o IPTU caro em Campo Mourão?
Bueno - Não, não acho. Os números de adimplência de quase 95% provam que não é caro. Outros números também provam. Temos um respaldo da população. O resultado da eleição mostrou isso, os resultados de todas as pesquisas de opinião também mostram que estamos no caminho certo.
Folha - A prefeitura priorizou os bairros na hora de construir obras, inclusive com o orçamento participativo. Foi justamente nos bairros, no entanto, que o seu candidato a prefeito, Tauillo Tezelli (PSDB), teve uma vitória mais apertada. A que o senhor atribui isso?
Bueno - A evolução da questão eleitoral se dá num momento em que, às vezes, independe da administração. Às vezes, um lance qualquer, naquele momento, pode ter causado um distanciamento entre o eleitor e o candidato. Isso não nos preocupa, porque a decisão do eleitor é democrática. A democracia não é boa só quando é para nós, mas quando é para todos.
Folha - A Prefeitura de Campo Mourão foi a primeira do País a contratar médicos por produção. Isso resolveu o problema da falta de profissionais do setor?
Bueno - Sim. Hoje temos não só os postos de saúde atendendo, como um posto 24 horas e central de atendimento com transporte. O índice de mortalidade infantil, por exemplo, baixou de 40 para 25 por mil. Isso mostra que o caminho na área da saúde teve um bom respaldo, uma boa estrutura, com um bom atendimento até na zona rural, onde não havia esse serviço.





