Dotti diz que são ''nulas'' as provas colhidas em Curitiba
Dotti diz que são nulas as provas colhidas em Curitiba O jurista René Ariel Dotti avaliou ontem como nulas sob o ponto de vista legal, as provas colhidas pela CPI do Narcotráfico nos três dias de investigação em Curitiba, na semana passada. A forma como as informações foram colhidas pelos deputados, no decorrer dos trabalhos, sem dar o direito da ampla defesa, é completamente ilícita, considerou ontem, numa entrevista à Folha. Dotti, que foi procurado pelo delegado afastado do Cope Mário Ramos para ser o seu advogado de defesa, relacionou ainda que os deputados da comissão parlamentar queimaram muitas etapas. Antes do pré-julgamento, a CPI tem de concluir um relatório, a ser encaminhado para o Ministério Público. Antes disso, não se pode prejulgar, definiu. Mesmo sem decidir se abraça ou não a defesa do delegado Mário Ramos, também foragido da Polícia, Dotti encaminha petição à Central de Inquéritos para saber até que ponto as acusações têm respaldo junto ao Ministério Público do Paraná. Não tenho dúvidas de que tudo o que foi decidido é passível de questionamento. Por mais que seja de interesse público, nenhuma investigação pode ser feita de forma desordenada, sem controle. Ninguém pode ser investigado e julgado ao mesmo tempo, argumentou Dotti. O presidente nacional da Associação dos Delegados de Polícia, Jair Cesário da Silva, passou o dia na capital acompanhando o teor das denúncias de perto. Assim como René Dotti, Jair Cesário considera sem valor legal as suspeitas levantadas contra a corporação. Não há prova material. É palavra contra palavra, saiu em defesa dos delegados acusados. A Folha tentou contato com o promotor Paulo Kessler, que comanda as investigações sobre o envolvimento de policiais com o narcotráfico, em Curitiba, para comentar as ponderações do jurista e do representante dos delegados, mas não houve retorno das ligações.(L.D.)





