Dossiê indica chefes das drogas no Rio
Eliane Azevedo e Roberta Jansen
Agência Estado - Do Rio de Janeiro
Os integrantes da CPI do Narcotráfico deixaram ontem o Rio com pelo menos dez nomes de policiais, juízes, políticos e empresários envolvidos no esquema de tráfico de drogas e armas no Estado. Os nomes foram obtidos no dossiê de quatro volumes entregue à CPI ontem pelo governador Anthony Garotinho (PDT) e nas investigações conduzidas pelo Ministério Público Estadual (MPE).
A sub-relatora da CPI, deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), afirmou que uma testemunha ligada ao traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, prestou um depoimento ao MPE que só acabou na madrugada de ontem. A testemunha, uma mulher, teria passado informações importantes sobre o esquema do narcotráfico no Estado, como nomes de envolvidos. O depoimento é extremamente importante, disse a deputada.
Entre os nomes levantados pelo Ministério Público como do primeiro escalão da quadrilha do Estado, estaria, segundo fontes ligadas à investigação, o do empresário Henrique Vale, dono de uma fazenda em Angra dos Reis, no litoral sul, na qual há uma pista de pouso. A denúncia contra ele poderá ser oferecida nos próximos dias. O relatório produzido pela coordenação de investigação do Ministério Público aponta ainda a participação de políticos estaduais no esquema.
O procurador-geral de Justiça, José Muinõz Piñero Filho, que teve uma rápida reunião com os deputados da comissão, confirmou que há nomes conhecidos na quadrilha e adiantou que as investigações envolvem empresários e pessoas da alta sociedade. Estamos muito próximos de conseguir provas para a denúncia, mas seria uma leviandade dar nomes agora, disse. O relatório do MPE deve chegar hoje às mãos dos deputados.
Já o dossiê apresentado pelo governo do Estado à CPI faz um mapeamento completo de como a droga entra no Estado, quem são os donos do tráfico nas favelas e quais as suas conexões externas aos morros. Tem gente dos Três Poderes, garantiu Garotinho. Em sua conversa com os deputados, o governador chegou a citar um juiz que teria tentado facilitar a fuga do traficante Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê. O presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Humberto Manes, enviou hoje um ofício a Garotinho pedindo o nome deste juiz.
O governador, que não quis, a princípio, citar nomes do dossiê, acabou criando um mal-estar na Polícia ao acusar o delegado Cláudio Góes, ex-chefe de delegacias especializadas, como ligado ao grupo de policiais que extorquiria Fernandinho Beira-Mar. Mais tarde, teve de procurar a imprensa para dizer que não é o delegado que está sendo investigado, mas seis policiais de sua equipe.
Para alguns membros da CPI, o relatório da polícia estadual, embora muito completo e superior ao enviado anteriormente à comissão, não impressiona pelos nomes: há muita gente citada, mas todas envolvidas no que se pode chamar de segundo escalão do crime organizado. Os tubarões da droga apareceriam mesmo na investigação conduzida pelo MPE. O governador nomeou uma comissão estadual para trabalhar em conjunto com a CPI.





