Dossiê gera troca de acusações
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sábado, 23 de setembro de 2006
Fausto Macedo<br> Agência Estado 
Cuiabá (MT) - Rachou a quadrilha que planejava empurrar José Serra (PSDB) para o mar de lama dos sanguessugas. Luiz Antônio Vedoin e Valdebran Padilha, protagonistas da trama, agora trocam acusações sem fim. Um joga para o outro a responsabilidade pelo dossiê contra o tucano - na verdade um amontoado de fotografias, uma fita de vídeo e um DVD sem importância para as investigações da Polícia Federal.
O ponto culminante da divisão foi o depoimento de Vedoin à PF na noite da última quinta-feira. O dono da Planam, carro-chefe da máfia das ambulâncias superfaturadas, declarou ao delegado Diógenes Curado que a idéia do dossiê partiu de Valdebran, empreiteiro de obras filiado ao PT e arrecadador de campanhas do partido em Cuiabá.
Vedoin afirmou que Valdebran lhe deve R$ 780 mil. Quando foi capturado pela PF, sob acusação de liderar os sanguessugas, Vedoin pediu ao petista que o visitasse na cela da Polinter de Mato Grosso e aproveitou para cobrar a dívida. ''Valdebran disse que não tinha o dinheiro, mas sugeriu que eu arrumasse fotos do Serra numa solenidade de entrega de ambulâncias'', contou Vedoin.
A solenidade ocorreu, de fato, em maio de 2001, quando o então ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso foi a Cuiabá e participou da festa de entrega de 41 ambulâncias, 75 borrifadores de inseticida, 150 bicicletas e 40 motos para 38 municípios mato-grossenses. Na ocasião, deputados sanguessugas prestigiaram o evento.
À PF, o dono da Planam relatou que o crédito a que teria direito é relativo a uma comissão de 15% que cobrou por obras repassadas a Valdebran no ano de 2000. As obras foram custeadas com recursos da União a partir de emendas do deputado Lino Rossi (MT), à época no PSDB. Já no governo Lula, a partir de 2003, Rossi pulou para o PP e tornou-se o maioral no ranking das emendas parlamentares para compra de ambulâncias - faturou R$ 3 milhões, segundo rastreamento da CPI dos Sanguessugas.
Segundo Vedoin, o deputado ficava com 10% daquele montante que a ele era destinado.Há seis anos, a dívida de Valdebran era de R$ 291 mil. Esse valor chega agora a R$ 780 mil pelos cálculos de Vedoin. Sua garantia - seis cheques emitidos por uma empresa de um irmão de Valdebran, a Saneng Construção Ltda, e pela Fontoura & Fontoura Ltda. - foi apreendida pela PF.
Acuado, Valdebran assume um papel secundário na trama. Disse que foi a São Paulo, atendendo a solicitação de Vedoin, para levar documentos que seriam entregues a dirigentes do PT. ''Na minha cabeça eu não estava fazendo nada de errado, caí de gaiato nessa história'', diz Valdebran. Ele contou à PF que o dinheiro - R$ 1,75 milhão - que recebeu no Hotel Ibis com Gedimar Passos, ex-agente da PF, seria entregue a Vedoin, que estaria ''atravessando dificuldades econômicas''.
Na última sexta-feira, os advogados de Vedoin pediram à Justiça Federal revogação da ordem de prisão preventiva contra o empresário. O motivo da custódia de Vedoin é que ele estaria ocultando provas, no caso, o tal dossiê anti-Serra. A defesa sustenta que a documentação ''não é prova porque não contém nenhuma novidade''.


