Agência Estado
De Brasília
O dossiê produzido pelo governo do Rio e entregue à CPI do Narcotráfico em caráter confidencial frustrou as expectativas dos integrantes da comissão, porque não revela dados sobre os possíveis cabeças e financiadores do narcotráfico no Estado. De acordo com um resumo feito pela CPI com base nos quatro volumes do relatório, o governo fluminense informou à comissão que o Rio tem 23 campos de pouso de aviões sem fiscalização pelas seções da Aviação Civil (SAC), traz uma listagem de nomes de 17 traficantes já conhecidos, entre os quais Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e detalha a rota do comércio ilegal de drogas que inclui a rodovia Presidente Dutra, o município de Três Rios (RJ) e pequenos aeroportos no Estado, entre eles os localizados em Volta Redonda.
O relatório destaca que, no total, são contabilizados 920 traficantes, que usam 670 armas, no tráfico no Rio. Segundo a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), responsável pelas investigações na CPI sobre o narcotráfico no Rio, o material não tem novidades. ‘‘O dossiê não aponta qualquer nome neste nível, nível A, que são os chamados chefões que possuem elevado patrimônio, de difícil identificação e atuam por meio de empresas legais utilizadas como fachadas para atividades ilícitas’’, diz a deputada.
Na sinopse, a CPI critica o fato de estar incompleto o volume de informações das 167 áreas de comércio de drogas no Estado. ‘‘Das 167 áreas listadas, 45 não têm qualquer informação e 95 apresentam apenas citação de nome do líder ou gerente (do tráfico)’’. São citadas as cinco principais áreas da cidade sob domínio do tráfico. O documento destaca que a droga proveniente de Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai chega aos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul por rotas diferentes, que incluem as cidades de Presidente Prudente, Presidente Epitácio, em São Paulo, e Volta Redonda, no Rio.

mockup