A Polícia Federal anunciou ontem a abertura de um novo inquérito para investigar o dossiê Caribe. A outra alternativa que era estudada pela PF, a reabertura do inquérito que investigou o caso em 1998 e 1999, foi descartada.
Segundo a assessoria da PF, a opção pela abertura de um novo inquérito foi feita para garantir mais agilidade na retomada da investigação. Para reabrir o inquérito antigo, a PF dependeria da concordância do Ministério Público e do Judiciário.
A assessoria de comunicação da PF informou que o inquérito anterior, transformado em processo, se encontra na Justiça Eleitoral e que o trâmite para retomá-lo poderia ser demorado.
O dossiê Caribe é um conjunto de papéis sem autenticidade comprovada sobre suposta empresa no exterior do presidente Fernando Henrique Cardoso, do ministro da Sa© úde, José Serra, de Sérgio Motta, ministro das Comunicações morto em 1998, e de Mário Covas, governador de São Paulo morto na semana passada.
Na nota em que anunciou a abertura do novo inquérito, a PF afirmou que a intenção é ‘‘apurar a ilicitude dos fatos novos divulgados em matéria publicada pelo jornal ‘O Globo’’’.
Em entrevista publicada pelo jornal no último domingo, Oscar de Barros, acusado de participação na montagem do dossiê, disse que o objetivo da fraude era abalar o governo às vésperas da eleição de 1998 e permitir especulação com ações e dólares. Confirmou ainda a existência da empresa CH, J & T, que teria sido aberta em nome de Sérgio Motta e de Ray Terence.
O novo inquérito será presidido pelo delegado Paulo de Tarso Teixeira, o mesmo que coordenou a investigação anterior. O primeiro inquérito foi concluído antes de terem sido feitas todas as diligências planejadas pela PF. A investigação se encerrou logo depois de FHC ter requisitado uma ação penal para punir os responsáveis. O Ministério Público acatou o pedido do presidente e propôs a ação, encerrando assim formalmente a investigação.
Segundo a PF, as informações e o material recolhido no inquérito antigo serão aproveitados no novo. Serão feitas cópias de partes do inquérito antigo e anexadas ao novo.
O delegado Paulo de Tarso vai refazer cartas rogatórias que deverão ser enviadas pelo menos a autoridades dos EUA e das Bahamas, pedindo informações. Essas cartas, e também outras destinadas às Ilhas Cayman e ao Reino Unido, já haviam sido preparadas pelo delegado no inquérito anterior, sem serem encaminhadas, mas a PF diz que elas precisarão ser refeitas por causa dos ‘‘fatos novos’’.
A PF informou também, com intermediação da assessoria de comunicação do Ministério da Justiça, que o fato de a empresa CH, J & T, que aparece no dossiê, realmente existir e a possibilidade de um de seus diretores ter sido Sérgio Motta também serão investigados.
A existência da empresa foi confirmada pela própria PF no outro inquérito, mas uma carta despachada ontem pelo ministro da Justiça, José Gregori, para o secretário de Justiça dos EUA, John Aschroft, se refere ao dossiê como um conjunto de ‘‘documentos falsos’’ que trariam uma denúncia ‘‘totalmente forjada’’.
A PF, no entanto, reluta em convocar para depor Wilma Motta, viúva do ministro morto. Ela chegou a ser listada no inquérito anterior como testemunha, mas não foi ouvida. Na retomada das investigações, a viúva só será intimada a depor se ‘‘houver absoluta necessidade de esclarecer algum fato’’, informou a PF, por meio da assessoria do ministério.

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