Dossiê Caribe tem novo inquérito na PF
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quarta-feira, 14 de março de 2001
Agência FolhaDe Brasília 
A Polícia Federal anunciou ontem a abertura de um novo inquérito para investigar o dossiê Caribe. A outra alternativa que era estudada pela PF, a reabertura do inquérito que investigou o caso em 1998 e 1999, foi descartada.
Segundo a assessoria da PF, a opção pela abertura de um novo inquérito foi feita para garantir mais agilidade na retomada da investigação. Para reabrir o inquérito antigo, a PF dependeria da concordância do Ministério Público e do Judiciário.
A assessoria de comunicação da PF informou que o inquérito anterior, transformado em processo, se encontra na Justiça Eleitoral e que o trâmite para retomá-lo poderia ser demorado.
O dossiê Caribe é um conjunto de papéis sem autenticidade comprovada sobre suposta empresa no exterior do presidente Fernando Henrique Cardoso, do ministro da Sa© úde, José Serra, de Sérgio Motta, ministro das Comunicações morto em 1998, e de Mário Covas, governador de São Paulo morto na semana passada.
Na nota em que anunciou a abertura do novo inquérito, a PF afirmou que a intenção é apurar a ilicitude dos fatos novos divulgados em matéria publicada pelo jornal O Globo.
Em entrevista publicada pelo jornal no último domingo, Oscar de Barros, acusado de participação na montagem do dossiê, disse que o objetivo da fraude era abalar o governo às vésperas da eleição de 1998 e permitir especulação com ações e dólares. Confirmou ainda a existência da empresa CH, J & T, que teria sido aberta em nome de Sérgio Motta e de Ray Terence.
O novo inquérito será presidido pelo delegado Paulo de Tarso Teixeira, o mesmo que coordenou a investigação anterior. O primeiro inquérito foi concluído antes de terem sido feitas todas as diligências planejadas pela PF. A investigação se encerrou logo depois de FHC ter requisitado uma ação penal para punir os responsáveis. O Ministério Público acatou o pedido do presidente e propôs a ação, encerrando assim formalmente a investigação.
Segundo a PF, as informações e o material recolhido no inquérito antigo serão aproveitados no novo. Serão feitas cópias de partes do inquérito antigo e anexadas ao novo.
O delegado Paulo de Tarso vai refazer cartas rogatórias que deverão ser enviadas pelo menos a autoridades dos EUA e das Bahamas, pedindo informações. Essas cartas, e também outras destinadas às Ilhas Cayman e ao Reino Unido, já haviam sido preparadas pelo delegado no inquérito anterior, sem serem encaminhadas, mas a PF diz que elas precisarão ser refeitas por causa dos fatos novos.
A PF informou também, com intermediação da assessoria de comunicação do Ministério da Justiça, que o fato de a empresa CH, J & T, que aparece no dossiê, realmente existir e a possibilidade de um de seus diretores ter sido Sérgio Motta também serão investigados.
A existência da empresa foi confirmada pela própria PF no outro inquérito, mas uma carta despachada ontem pelo ministro da Justiça, José Gregori, para o secretário de Justiça dos EUA, John Aschroft, se refere ao dossiê como um conjunto de documentos falsos que trariam uma denúncia totalmente forjada.
A PF, no entanto, reluta em convocar para depor Wilma Motta, viúva do ministro morto. Ela chegou a ser listada no inquérito anterior como testemunha, mas não foi ouvida. Na retomada das investigações, a viúva só será intimada a depor se houver absoluta necessidade de esclarecer algum fato, informou a PF, por meio da assessoria do ministério.


