Ao tomar posse ontem o novo ministro do Trabalho e Emprego, Francisco Dornelles, afirmou que as elevadas taxas de juros são um obstáculo ao crescimento econômico e ao nível do emprego no País. Ele disse, no entanto, que as atuais taxas ‘‘não decorrem da vontade do presidente da República ou do ministro da Fazenda, mas dos desequilíbrios das contas públicas’’.
Dornelles pediu apoio do Congresso para a aprovação do ajuste fiscal e prometeu que o Partido Progressista Brasileiro (PPB), do qual faz parte, ‘‘não faltará ao presidente Fernando Henrique no esforço de reformar o Brasil’’. Segundo o ministro, ‘‘ninguém pode ignorar as turbulências internacionais e a necessidade de que o país faça reajustes dolorosos’’ para enfrentar as dificuldades presentes.
A solenidade de posse de Dornelles contou com a presença de 11 ministros, entre eles o ministro da Fazenda, Pedro Malan, do presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães, parlamentares e sindicalistas. Depois de discursar em um auditório lotado, Dornelles saiu à calçada do ministério para receber os cumprimentos.
Ele defendeu a continuação do programa de privatização do governo e pediu apoio de ‘‘empregados e empregadores’’ para a queda das taxas. Uma medida, segundo ele, importante para o aumento do emprego. Ainda de acordo com o ministro, na retomada do crescimento ‘‘é imperioso a redução do custo Brasil’’.
Com este objetivo, destacou, ‘‘é da maior importância que empregados e empregadores participem ativamente de todos os esforços visando o incremento das exportações’’. Dornelles pediu, ainda, o apoio de empregados e empregadores ‘‘aos esforços do governo, apoiando e sustentando medidas que visam combater o contrabando, banir as práticas desleais de comércio nas importações, bem como eliminar as barreiras colocadas às exportações brasileiras’’.
Aos trabalhadores, o novo ministro afirmou que eles ‘‘não podem desconhecer os problemas e as dificuldades que muitas vezes enfrenta o empresário’’. Dornelles não anunciou medidas imediatas de combate ao desemprego no país. Destacou que uma das principais prioridades da sua administração será ‘‘a realização de um amplo programa de requalificação do trabalhador desempregado, buscando ajustar o perfil da força de trabalho aos novos tempos’’.
Presente à solenidade, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, destacou que o desemprego se combate com investimentos que, por sua vez, geram empregos. Ele salientou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá promover estes investimentos.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, que também esteve na posse de Dornelles, afirmou que não espera do novo ministro políticas de emprego. ‘‘Não tenho expectativa que o ministro crie empregos, mas ajude a mudar a legislação e melhora a qualificação dos trabalhadores’’.Agência EstadoPrestigiadoDornelles, Magalhães e Temer, durante a cerimônia de posse do novo ministro do Trabalho: apoio do Congresso para a aprovação do ajuste fiscalSoraya de Alencar
Agência Estado

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