Razões outras
Quase metade do ministério que toma posse com a presidente Dilma Rousseff no próximo dia 1º de janeiro já foi anunciada e até agora não se ouviu coisa alguma sobre a excelência profissional dos indicados para as respectivas pastas
Uma exceção para confirmar a regra: Alexandre Tombini, do Banco Central, um funcionário de carreira reconhecido e respeitado
Não que não existam competências entre os ministros escolhidos Existem e até comprovadas, como é o caso de Antonio Palocci para a Casa Civil, não obstante o toque de impropriedade que o episódio da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa confere à presença dele em tão estratégico posto
Não pôde continuar à frente do Ministério da Fazenda, mas pode assumir um lugar que do ponto de vista do cotidiano de governo é o segundo depois da Presidência Mas, como vivemos tempo de irrelevâncias no tocante ao conceito do ser e também parecer irretocável para se ocupar um cargo público, relevemos
Ainda que o mérito tenha deixado de ser critério há muito tempo na escolha de auxiliares presidenciais, impossível não notar, e registrar, a arbitragem à deriva vigente na composição do Ministério Dilma em particular
Tão exorbitante que é vista com a maior naturalidade a reserva de ''cotas'' à presidente dona da prerrogativa, conferida pela eleição, de nomear quem queira E por conta desse exotismo não se pode perceber o que Dilma Rousseff realmente quer para o governo a ser iniciado em 18 dias
Entretanto, já soubemos o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quis e a cada dia tomamos conhecimento de um novo desejo dele a ser satisfeito Soubemos também que há ministros nomeados porque se mostraram ''confiáveis'' durante a campanha, bem como tivemos notícia de que o ministro da Agricultura continua porque o vice Michel Temer quer
Pelo mesmo motivo Moreira Franco comandará a Secretaria de Assuntos Estratégicos para, entre outras funções, comandar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e seu conhecido cardápio de sugestões solenemente ignoradas
Fernando Pimentel irá para o Desenvolvimento porque é amigo de longa data de Dilma e perdeu a eleição em Minas; a escolha de Ideli Salvatti para a Pesca guarda relação com a reserva de mercado para o grupo petista de Santa Catarina
Alfredo Nascimento continua nos Transportes não pela excelência (?) demonstrada à frente da pasta, mas porque assim quis o PR Edison Lobão, cujo desastre na condução da última crise de energia dispensa apresentações, volta porque José Sarney quer
O maranhense Pedro Novais vai para o Turismo - a pasta que libera emendas parlamentares a mancheias para entidades fantasmas - porque o PMDB da Câmara se articulou com Sarney
Ciro Gomes está cotado para a Integração Nacional Ciro, ou alguém de sua confiança, ganha uma pasta na cota do critério de prevenção de danos
Para o Desenvolvimento Agrário, a indicação resultou do trabalho da ''cooperativa'' formada pelos governadores do PT no Nordeste para obter uma representação na equipe
Antonio Carlos Valadares foi convidado para a pasta a ser criada das Micro e Pequenas Empresas, mas quer coisa melhor por causa da motivação de sua escolha: a necessidade de abrir vaga para José Eduardo Dutra no Senado
O baile segue nessa toada onde sobram homens e mulheres, mas faltam ideias e todo mundo faz de conta que é assim mesmo A exceção foi o senador eleito Eduardo Braga que deu uma entrevista ao Estado dizendo ter recusado a Previdência por falta de projeto para a área
Pena que não era verdade Não foi ministro por que Renan Calheiros vetou: precisava do cargo para acomodar Garibaldi Alves, pois era necessário afastá-lo da disputa pela presidência do Senado
Da mesma forma, a disputa pela presidência da Câmara pautará a escolha de outro ministro do PT, partido campeão na ocupação de espaços na Esplanada a partir do critério da divisão de cargos entre as tendências internas do aparelho
É bonito tudo isso? Feio de doer, mas é assim que a banda toca no retrógrado e viciado modo brasileiro de fazer política e governar o País

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