DORA KRAMER
O abre-alas
A nomeação do senador Garibaldi Alves para o Ministério da Previdência Social embute um recado político Quer dizer alguma coisa, além da versão difundida nos bastidores de que seria a única opção do PMDB depois que Renan Calheiros vetou a indicação do senador eleito Eduardo Braga
Vamos por partes, fazendo um exercício de dedução e de combinação de peças regido por pura lógica Por que Garibaldi se seria ele o candidato natural do PMDB para a presidência do Senado com apoio de outras bancadas, inclusive de oposição?
Ah, o candidato natural do PMDB não seria José Sarney? Depende do ponto de vista Na perspectiva do partido talvez sim, mas sob a ótica do governo - o mais poderoso ator da disputa pelo comando do Congresso - provavelmente não
Sarney conseguiu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sacrificasse sem piedade o PT do Maranhão para eleger a filha, Roseana, governadora Conseguiu que Edison Lobão voltasse ao Ministério de Minas e Energia, conseguiu indicar o deputado maranhense Pedro Novais para o Ministério do Turismo
Das quatro pastas (de verdade) destinadas ao PMDB ficou com a metade Muito mais poderoso que o vice-presidente, Michel Temer, que indicou um ministro (Agricultura) e meio (Secretaria de Assuntos Estratégicos)
Seria lógico que ainda ficasse com a presidência do Senado acumulando um poder digno da criação de uma república do Maranhão dentro do governo do PT? Pois é O segundo da fila era Garibaldi
Ora, se dizem que ele foi escolhido para o ministério porque não havia outro, então quem haverá para a presidência do Senado?
De onde se conclui que a Previdência foi dada a Garibaldi para remover uma peça importante do caminho na disputa pela presidência do Senado
Só não é possível vislumbrar quem seria, então, o predileto Se no PMDB não ''há ninguém'', do PT é que o próximo presidente não pode ser O partido vai presidir a Câmara ficando com a vice no Senado
A terceira bancada mais numerosa é a do PSDB, com dez senadores Sim, mas e o governo com isso? Não há a menor chance de o novo governo aceitar, por exemplo, Aécio Neves na presidência da Casa
De fato, não haveria mesmo, mas quem sabe que tipo de artifício pode ser engendrado por cabeças políticas cujos olhos miram muito adiante?
Quem sabe também se a oposição quer mesmo se opor? E quem sabe onde estará um político no futuro?
De nítido mesmo nessa história o que dá para enxergar é um Aécio conversador demais para quem está prestes a integrar a pouco influente bancada da oposição
Noves fora, tudo isso quer dizer o quê?
Nada de muito objetivo, só um exercício de dedução e de composição de peças regido pela lógica para convidar o caro leitor, a amiga leitora a pensar
Roupa nova
Só não se pode dizer que se arrependimento matasse o PMDB estaria mortinho da Silva porque para o partido é melhor ser governo que oposição
A parte que coube ao partido no latifúndio da Esplanada desagradou, à revolta, à bancada na Câmara e à cúpula do partido, que promete esperar o governo na esquina
Não na disputa pela presidência da Casa, mas mais à frente quando a presidente precisar de votos no plenário ou de solidariedade em comissões de inquérito
Os dirigentes acham que foram humilhados e um deles fez a frase: ''O PMDB estava louco para mudar a imagem Mudou, antes era fisiológico e esperto agora é fisiológico e bobo''
Antes tarde
Gim Argello renuncia à relatoria e deixa a Comissão de Orçamento, aonde nunca deveria ter chegado
Dá licença Dessa conversa sobre ''refundação'' do PSDB o que deu para entender até agora é que se trata de uma espécie de programa de aceleração do afastamento de José Serra





