Antes tarde
Entusiasmo é material perecível, assim como senso crítico é matéria prima indispensável ao desenvolvimento da humanidade Agora, desqualificar o trabalho das forças estadual e federal no combate ao poder do tráfico no Rio de Janeiro na última semana é, além de uma atitude retrógrada, um exercício de crítica à deriva Um equívoco, sobretudo
São poucos, mas ainda há focos de resistência ao reconhecimento de que o que houve no Rio significou um avanço incontestável em relação ao que estávamos acostumados a ver Principalmente nos últimos 20 anos, quando o crime já havia consolidado suas posições e as autoridades ainda resistiam - por incompetência, compadrio ou indiferença - ao enfrentamento
Embora seja pertinente o questionamento sobre as razões pelas quais não houve antes uma atuação semelhante às retomadas dos territórios de Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, na região da Penha, zona norte da cidade, a mera repetição dessa pergunta não leva a lugar algum
Melhor que perguntar por que o Estado não agiu antes é cobrar das autoridades a continuidade desse tipo de ação No País todo Já ficou demonstrado que o poder público, quando quer e se empenha, ganha sempre
É mais forte que o crime Detém a legitimidade da força e, a despeito de enfrentar a ''desvantagem'' da obrigação de atuar dentro da lei frente a um inimigo livre dos ditames legais, é infinitamente superior a ele
Portanto, não há mais daqui em diante nenhuma justificativa para que não se prossiga nesse combate Muito menos existem quaisquer explicações para que o governo federal em conjunto com os governadores não elabore e institua uma política de segurança pública de caráter nacional e com sentido prioritário
Essa é uma tarefa que se impõe ao governo de Dilma Rousseff Depois de 16 anos consecutivos de fracassos na área, nos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, é hora de a sociedade aplicar o critério da tolerância zero em relação à responsabilidade dos governantes no cumprimento do dever constitucional de garantir o direito à vida aos cidadãos
Isso abrange a inclusão de diferentes áreas: legislativa, judicial, trabalho de fronteiras, posição do Brasil em relação aos países que exportam drogas e não fazem o combate necessário à exportação de armas, combate duro aos barões da criminalidade, o expurgo da corrupção (da polícia, da política, do Judiciário), sem prejuízo também de se revelar responsabilidades sobre décadas de omissão
A população que não sofre na pele a escravidão pelos traficantes no cotidiano parou de considerar o bandido um herói e, de um modo geral, a mentalidade em relação à defesa dos direitos humanos está se alterando: há o viés social, mas não há que se desprezar o poder da repressão
A cultura do protesto vão - passeatas da elegantzia e da intelligentzia que o ex-chefe de polícia Hélio Luz denunciava por ''protestar de dia e cheirar à noite'' - deu lugar à participação objetiva e mais que efetiva por intermédio do Disque-Denúncia
A polícia, por sua vez, começou a atuar como aliada do cidadão, substituindo a arbitrariedade pela inteligência e o planejamento estratégico, sob um comando sério e integrado
Nada está resolvido, mas está provado que o Estado sabe o caminho Se não enveredou por essa trilha até hoje, a hora é agora Sem recuos, pois as condições estão postas e o rumo da recuperação da soberania do Estado está dado Sem margem para ambiguidades
Dona da casa
De Lula a FH, muitos se arvoram o direito de dar conselhos públicos à presidente eleita Não fica bem
Mais não seja no que tange ao ex-presidente, porque ele pertence à oposição Derrotada e ''eleita'' para se opor
No Twitter
@DECUBITO: ''Que a polícia tire os bandidos das ruas e o povo tire os bandidos da política''

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