DORA KRAMER
Quem cedo madruga
As razões por trás dos movimentos do DEM em direção ao PMDB - e por que não dizer, e vice-versa - nesse momento são de caráter muito mais eleitoral que político
Explica-se a diferença: nenhum dos dois partidos está preocupado com as implicações políticas de se postarem em campos opostos no cenário nacional, o PMDB na situação e o DEM na oposição
Isso é o de menos Agora, mal se fecharam as urnas presidenciais, o que interessa para esses dois grupos pragmáticos desde a mais tenra infância é iniciar a organização da eleição municipal de 2012
Abre parêntese: aqui quando de fala em DEM entenda-se parte da legenda, hoje em divisão nítida
A direção formal de um lado, representada pela ''nova geração'' do presidente Rodrigo Maia que gravita em torno da liderança de Aécio Neves desde a campanha eleitoral; de outro a ''velha guarda'' de Jorge Bornhausen e José Agripino, à qual se alia o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e os dois governadores eleitos do partido no Rio Grande do Norte e Santa Catarina
Este grupo gostaria, na verdade é de ver os ''Maia'' (Rodrigo e o pai, Cesar, ex-prefeito do Rio e derrotado para a eleição do Senado) fora do comando do DEM Só que além de mandato prorrogado até dezembro de 2011, o atual presidente tem apoio interno dos ''baianos'' (ACM Neto e José Carlos Aleluia) e de Ronaldo Caiado
Fecha parêntese: falávamos sobre a organização da eleição de 2012 O DEM, ou parte dele, já se rendeu à evidência de que isolado ou como satélite do PSDB não chegará a lugar algum a não ser à redução gradativa até a extinção
Portanto, precisa de alianças e de tentar jogar com as poucas boas cartas de quem ainda dispõe A melhor delas, a prefeitura de São Paulo e aí se insere a decisão do prefeito Kassab de mudar para o PMDB
No DEM não tem força para sozinho fazer o sucessor Mas a situação muda de figura se a tentativa de enfrentar o PSDB de Geraldo Alckmin e o PT puder contar com a estrutura do PMDB
Filiado ao partido, Kassab pode lançar, por exemplo, o atual vice-governador eleito, Guilherme Afif Domingos, que continuaria no DEM, digamos, tomando conta ''do lojinha''
Qual a vantagem do PMDB? Hoje não tem ninguém em São Paulo, depois do afastamento de Orestes Quércia, e poderia tentar cavar um espaço em território dominado pelo PSDB há 16 anos e por um PT em franca descendência
A aliança poderia se reproduzir País afora, não necessariamente de maneira formal onde a condição de ocupante da vice-presidência da República não permitir ao PMDB
No lado do DEM, note-se que onde esteve aliado aos pemedebistas (RN e SC) ganhou a eleição Da parte do PMDB, é preciso movimentação ágil a fim de aproveitar a chance de estar de fato no poder central para se fortalecer, ao contrário do que fez o DEM Quando teve a mesma oportunidade, só fez acentuar a condição de satélite do PSDB
Já o PMDB não pretende assistir inerte ao PT consolidar hegemonia Além disso, com na parceria com DEM é mais forte e, portanto, dá as cartas
Mosqueteiros
O vice-presidente eleito, Michel Temer, também presidente da Câmara e do PMDB, não toma decisão partidária sem consultar o triunvirato Moreira Franco, Geddel Vieira Lima e Eliseu Padilha
Todos, inclusive Temer, oriundos da ala tucana do partido
As musas
Em todo governo há personagens que marcam presença não necessariamente por razões políticas ou administrativas, e isso vale para o bem e para o mal
São pessoas que se destacam por algum traço de personalidade, de comportamento ou mesmo pelo papel que desempenham na vida dos novos donos do poder
No caso, dona, a presidente Dilma Roussef
Pela dinâmica da capital, Dilma Jane, de incrivelmente bem conservados 86 anos de idade, e Arilda, de 87 - mãe e tia da presidente que morarão com ela no Palácio da Alvorada - são sérias candidatas ao posto de sensação da próxima temporada





