Para o proprietário de ‘‘O Diário’’, Franklin Silva, os pagamentos ‘‘são completamente normais e usuais’’ e ocorrem, no caso dele, desde que assumiu o jornal, em 1976. De acordo com Silva, o jornal nunca extrapolou nos valores cobrados para veicular o ‘‘noticiário do município’’. ‘‘O valor de um página de ‘‘O Diário’’ é de R$ 8 mil e nós cobrávamos R$ 11 mil da prefeitura por mês e no somatório final das matérias publicadas a prefeitura ficava com seis a oito páginas por mês’’, disse Silva. Conforme o dono de ‘‘O Diário’’, é justo para o jornal estipular uma verba mensal para ‘‘a prefeitura divulgar as coisas do município’’.
Na opinião do dono de ‘‘O Jornal do Povo’’, Verdelírio Barbosa, não existem irregularidades porque os jornais eram pagos para a prestação de serviços. Barbosa questionou o fato de o MP não ter arrolado proprietários de outros veículos de comunicação de Maringá.
A Folha tentou ontem localizar o dono da Nossa Propaganda, mas segundo informações de funcionários da agência, Paulo Sérgio Querino não estava na empresa. Ele também não retornou as ligações. O assessor de imprensa da prefeitura, Henri Jean Viana, o ‘‘Francês’’, não quis falar com a Folha. Ele produz e escreve a Coluna DNP, publicada diariamente em ‘‘O Diário’’. Segundo o MP, era o assessor quem assinava as solicitações do dinheiro para o pagamento do ‘‘pessoal da imprensa’’. Já o dono da Net 5, Ezio Ribeirette, disse que só vai se pronunciar quando tomar conhecimento da ação e conversar com advogados.
O chefe de gabinete, Romualdo Martins, disse ontem que não se lembra do contrato de R$ 1,1 milhão com a Nossa Propaganda e que ‘‘todos os documentos que assinava tinha o parecer legal da assessoria jurídica da prefeitura’’. A liberação do dinheiro e da documentação referente aos contratos tinham, conforme o MP, assinaturas de Martins e do secretário de Administração, Adevanir Ferreira. O secretário também afirmou que não tem conhecimento do contrato com a Nossa Propaganda porque pode ter sido feito ‘‘via gabinete’’. ‘‘O que sempre coube à Secretaria da Administração era a formalização dos processos licitatórios’’, explicou Ferreira. (M.M.)

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