Donos de Gol e JBS são alvos da Lava Jato
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sexta-feira, 01 de julho de 2016
Folhapress 
Brasília e São Paulo - A Polícia Federal deflagrou mais uma etapa da Operação Lava Jato ontem, batizada de Sépsis, que mira a Eldorado Celulose, uma empresa do grupo J&F - holding da JBS, dona da Friboi. A PF realizou buscas na sede do grupo e na casa de seu dono, Joesley Batista, em São Paulo. A JBS afirma que não é investigada na ação. Outro alvo de buscas é o empresário Henrique Constantino, acionista majoritário da Gol Linhas Aéreas e sócio da concessionária BRVias, que está sendo investigada.
O único mandado de prisão expedido foi para o corretor Lúcio Bolonha Funaro, aliado do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e que vinha tentando negociar um acordo de delação com a PGR (Procuradoria-geral da República). Ele foi detido pela manhã.
A operação foi autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavaski, relator da Lava Jato, e tem como base a delação do ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, também aliado de Cunha. A ação também tem fatos ligados à delação premiada do ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo Hypermarcas Nelson Mello.
Há suspeitas de que o J&F tenha pago propina, por meio de Funaro, para obter recursos do fundo de investimentos do FGTS, liberados por influência de Cleto.
As buscas da PF na sede do grupo J&F, controlador da JBS, concentraram-se na empresa Eldorado Brasil Celulose, que se beneficiou de recursos do FGTS e está no alvo das suspeitas dos investigadores. Segundo Cleto, a empresa pagou a ele R$ 680 mil em propinas. Cleto ainda apontou diretamente o dono do grupo, Joesley Batista, como responsável pelos pagamentos de propina.
Nova denúncia
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou ao STF (Supremo Tribunal Federal) o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o corretor de valores Lúcio Funaro por suposta participação em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro relacionado à Caixa Econômica Federal ao menos entre os anos de 2011 e 2015.
Essa é a quarta denúncia oferecida por Janot contra Cunha por envolvimento na Lava Jato. O deputado já é réu em três ações penais no Supremo sob acusação de participação no esquema de corrupção da Petrobras.
A denúncia imputa a Cunha crime de corrupção por 15 vezes e lavagem de dinheiro por 318 vezes. A acusação leva em conta a delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Fabio Cleto. Ele afirmou em sua delação premiada que teve reuniões semanais com o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) durante quatro anos para tratar de um esquema de propina envolvendo o FI-FGTS e que o parlamentar embolsou 80% dos recursos desviados.
Os encontros teriam ocorrido no apartamento funcional de Cunha e depois na residência oficial da Presidência da Câmara, quando o peemedebista assumiu o comando da Casa em fevereiro de 2015.
Defesas
E empresa Eldorado Celulose disse que desconhece as razões e o objetivo da ação de ontem ação e prestou todas as informações solicitadas. Na época em que reportagens sobre a delação de Cleto foram publicadas, as defesas do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro negaram as acusações e disseram desconhecer a delação do ex-vice da Caixa Fábio Cleto. Em nota, a JBS afirmou que "a companhia, bem como seus executivos, não é alvo e não está relacionada com a operação da Polícia Federal ocorrida na manhã de hoje [ontem]". A defesa de Funaro não se manifestou após sua prisão. A reportagem não conseguiu contato com representantes de Henrique Constantino. A assessoria da Gol Linhas Aéreas afirmou que a empresa não é alvo da PF.


