Rio - Os proprietários da Vicatur Câmbio e Turismo, de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no Rio, afirmaram ontem desconhecer qualquer investigação da Polícia Federal (PF) sobre a possível venda dos US$ 248,8 mil encontrados com petistas em São Paulo que os usariam para a compra de um dossiê contra o governador eleito, José Serra (PSDB). Pela Vicatur Câmbio, segundo as investigações policiais, passou parte dos dólares apreendidos no Hotel Íbis, na capital paulista.
Apesar de afirmarem que a loja de câmbio só faz operações regulares, todas comunicadas ao Banco Central (BC), os sócios da empresa não explicaram de forma convincente se venderam US$ 248,8 mil para cinco integrantes de uma mesma família. Segundo a PF levantou, este valor em dólares saiu da agência em nome de cinco membros de uma mesma família humilde, sem condições de realizar tal tipo de compra.
A Vicatur também alegou desconhecer qualquer investigação pedida pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre a venda de moedas americanas para os chamados ''laranjas'', bem como a clientes usando Cadastro de Pessoa Física (CPF) falsificado. A empresa, em 2003, foi investigada pelo BC, que ouviu pessoas cujos nomes e CPFs tinham sido usados para a compra de dólares sem que soubessem. O resultado desta apuração foi encaminhado à Procuradoria da República no Rio que pediu abertura de inquérito. Ontem, a Superintendência da PF no Rio não soube explicar o que houve com este inquérito.
Em Cuiabá, o suposto elo do PSDB com os sanguessugas, o empresário Abel Pereira, afirmou ontem à Polícia Federal que os Vedoin - mentores da máfia das ambulâncias superfaturadas - lhe ofereceram ''documentos que comprometeriam Aloizio Mercadante''. Senador do PT, Mercadante foi candidato ao governo de São Paulo. Seu ex-coordenador de campanha Hamilton Lacerda é apontado pela PF como um dos cabeças da trama do dossiê Vedoin, que pretendia envolver José Serra com os sanguessugas.
O presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), disse que Abel está envolvido ''até a raiz do cabelo'' na máfia das ambulâncias e aproveitou o depoimento à Polícia Federal para tentar escapar das acusações.

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