Curitiba - O dono do telebingo Totobola, Mário Alberto Charles, pode ter desviado R$ 150 milhões de rendimentos do jogo para Nova York, nos Estados Unidos. A afirmação foi feita pelo ex-sócio de Charles e autor das denúncias de fraude no jogo o argentino Carlos Zicavo em depoimento, na última terça-feira, ao delegado do Núcleo de Repressão aos Crimes Econômicos (Nurce), Sérgio Sirino, em Porto Alegre. Foi ouvido também o ex-gerente do Totobola no Brasil Geraldo de Carvalho.
De acordo com o depoimento de Zicavo, o dinheiro teria sido aplicado na Bolsa de Valores de Nova York. Contudo, o ex-sócio de Charles não apresentou nenhum documento que comprovasse o desvio. ''Se chegarmos a uma prova cabal dos desvios, o caso vai ser passado para a Polícia Federal investigar'', explicou Sirino. Segundo o delegado, é bastante provável que no decorrer das investigações seja pedida a quebra do sigilo fiscal, bancário e telefônico da Kolmac, empresa que gerencia o jogo no Paraná.
Zicavo afirmou também em seu depoimento ter um fita com uma gravação de uma conversa entre ele e o construtor de bingueiras. Na fita há afirmação de que o modelo de bingueira usado pelo Totobola comporta um software que permite fraudar os resultados. Segundo Sirino, o argentino disse que está sendo melhorado o áudio da fita.
Já o ex-gerente do jogo no Brasil informou que Charles criou várias empresas para gerir seu negócio e assim se beneficiar da Lei do Lucro Presumido. Essa lei dá vantagens a quem atinge uma margem máxima de lucro. E para não ultrapassá-la, Charles teria várias empresas laranjas para gerir seu negócio. ''Esse é um artifício jurídico muito usado e legal desde que as empresas não sejam de fachadas. Mas, como nesse caso há muito coisa obscura, é preciso investigar'', afirmou Sirino.
A gerente de marketing da Kolmac, Cristiane Kempinski, informou que a empresa não sabia do depoimento de Zicavo e muito menos conhece qualquer remessa de dinheiro para o exterior. Ela informou apenas que as declarações são fantasiosas.
O Totobola está suspenso desde o dia 19, quando uma equipe do Nurce lacrou o sistema de software e a bingueira, após presenciar o sorteio de número 90 do telebingo e constatar indícios de irregularidade. A denúncia de fraudes no Totobola foi feita ao Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul por Zicavo. Ele acusa Charles de ter retido até R$ 2 milhões que deveriam ser destinados para premiação desde 1997, quando o Totobola se instalou no Brasil. No Paraná, ele existe há um ano e meio.

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