Dono do Totobola acusa ex-sócio
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quarta-feira, 28 de abril de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O empresário argentino Mario Alberto Charles prestou ontem depoimento no Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) a respeito das suspeitas de fraude no sorteio do telebingo Totobola. Charles negou qualquer possibilidade de fraude no sistema de sorteio do Totobola, afastando a hipótese de que as bolas sorteadas pudessem ser previamente escolhidas por um programa de computador. O software utilizado nos sorteios está passando por uma perícia a pedido do delegado Sérgio Cirino, do Nurce.
As denúncias de irregularidades no Totobola foram feitas inicialmente ao Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul por um ex-sócio de Charles, o também argentino Carlos Zicavo. Segundo Charles, seu ex-sócio teria lhe denunciado porque Charles teria se negado a aceitar uma tentativa de extorsão de Zicavo. ''Quando rescindimos nossa parceria comercial, ficou acertado que Zicavo receberia R$ 160 mil. Em março, pagamos a última parcela, mas ele continuou insistindo em receber mais dinheiro, caso contrário ele faria denúncias. Não atendi o pedido porque estou seguro de que não há irregularidades no sorteio'' explicou Charles.
O empresário também explicou o fato dos sorteios do Totobola serem veiculados na tevê apenas horas depois de serem realizados. ''Foi uma exigência da TV Paranaense (hoje RPC, afialiada da Globo no Estado), que solicitava as fitas com horas de antecedência para programar sua exibição. Porém, em todos os cartazes do Totobola constava o local do sorteio e a hora em que eles eram realizados'', defende-se.
Segundo ele, era impossível que no intervalo entre o sorteio e a exibição os funcionários do Totobola localizassem eventuais cartelas não vendidas, como acusa Zicavo. ''Além de tal operação necessitar de pessoas em todas as localidades do Estado, não haveria a menor possibilidade de saber se a cartela estava lá ou já havia sido vendida. Tal acusação não tem cabimento'', destacou.
O proprietário do Totobola lembrou que em muitos casos, a cartela premiada podia nem ter sido impressa. ''O Totobola possibilita uma combinação de mais de 3,2 milhões de cartelas. Nós imprimíamos uma média de 300 mil por semana'', disse. O empresário entrou com um recurso administrativo junto ao Serviço de Loterias do Paraná pedindo o restabelecimento dos sorteios, cancelados na semana passada por ordem do governador Roberto Requião (PMDB). Charles admite, porém, que as chances do sorteio voltar através do recurso são pequenas.
Segundo Charles, ainda não há dados se as vendas do Totobola em outros Estados diminuíram em virtude das denúncias. ''Desde julho do ano passado, temos um prejuízo acumulado de R$ 1 milhão, que vinha sendo compensado pelo bom desempenho do jogo no Rio Grande do Sul. É inegável que um episódio desse afeta a imagem do jogo, mas não temos a repercussão disso ainda'', afirmou.


