O médico Anis Rassi, de Goiânia, rechaçou ontem as afirmações de Walderez Lacerda e negou que o doleiro tenha apenas ‘‘intermediado’’ a venda dos US$ 200 mil. ‘‘Contesto veementemente essa declaração mentirosa. O negócio foi com ele (doleiro); o ciclo da minha negociação encerrou nele. A partir daí, eu não tenho nada com isso’’, afirmou o médico. ‘‘Ora, se eu conhecesse os doleiros de São Paulo faria a venda direta para eles’’, completou.
Anis Rassi observou ainda que, na declaração, Lacerda diz que ‘‘desconhece a qualificação dos doleiros de São Paulo’’. ‘‘Como um doleiro não conhece o outro? Quem não os conhecia sou eu’’, afirmou. O médico revelou à Folha que vendeu os dólares para ajudar na construção de um hospital, que está levantando com sócios. O pagamento (R$ 340 mil) foi feito via bancária e o médico disse que não tinha como saber que a origem do dinheiro era ilícita.
Ontem, o promotor Cláudio Esteves informou que a casa de câmbio de Flora, em São Paulo, está sendo investigada em função das declarações do doleiro de Goiânia. ‘‘O Ministério Público investiga exatamente o fato de que esta casa de câmbio de São Paulo foi a responsável por intermediar a remessa do dinheiro desviado da Comurb por meio de um doleiro de Londrina’’, disse, sem revelar o nome do doleiro. ‘‘Vamos manter em sigilo inclusive porque ele é investigado em numerosos fatos.’’
Os R$ 230 mil bloqueados em Goiânia são o primeiro valor desviado da prefeitura de Londrina localizado pelo MP. Ao todo, os promotores que investigam o caso já comprovaram o desvio de pelo menos R$ 16 milhões. Mas o ‘‘rombo’’ nos cofres públicos pode superar R$ 100 milhões. (L.H.)

mockup