Dona Maria, 96 anos, espera mudanças
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de outubro de 2002
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
Nesses dias em que que o país vive a angústia e a expectativa da escolha do novo presidente da República, dona Maria Ignez Penteado completou 96 anos. Nascida em Itatinga, interior de São Paulo, em 22 de outubro de 1906, dona Maria é uma das primeiras brasileiras a ter garantido o direito ao voto.
Em 1932, através de um decreto, o presidente Getúlio Vargas instituiu o Código Eleitoral Brasileiro, que disciplinava que qualquer cidadão, acima de 21 anos, sem distinção de sexo, poderia votar. No entanto, o voto feminino ainda era facultativo.
''Naquela época, a mulher não tinha valor, não podia nem assinar documentos'', se recorda dona Maria, que atualmente vive em Londrina. Ao saber da novidade, dona Maria, então com 26 anos e morando em Santana do Itararé (Norte Pioneiro), percorreu cerca de 20 quilômetros até chegar a São José da Boa Vista e tirar o título de eleitor. Ela viajou acompanhada do marido Heitor de Assis Penteado, que, naquela época, trabalhou como mesário nas eleições. ''Era bem longe. Tivemos que ir de charrete, mas eu queria votar'', afirmou.
Com uma memória privilegiada, dona Maria ainda se lembra quando o presidente Jânio Quadros renunciou ao mandato, em 1961. ''Eu votei para o Jânio, mas sete meses depois ele renunciou'', lamenta. O candidato que obteve o seu primeiro voto foi esquecido, mas o último ainda está presente na memória. ''Votei para o Wilson Moreira, mas ele não ganhou'', disse, se referindo às eleições municipais de 1992, quando ex-prefeito perdeu para o então petista Luiz Eduardo Cheida.
Após diversas alegrias e frustrações com as urnas, nesta eleição dona Maria não vai votar. ''É difícil chegar na urna'', justificou. Mas a política ainda atrai a sua atenção. ''Assisto todo dia ao horário político e leio o jornal.'' Questionada sobre sua preferência à presidência da República, dona Maria foi enfática. ''Votaria no José Serra (PSDB).''
Morando no centro de Londrina, dona Maria se diz ''satisfeita com a vida''. Mas avisa que, independente de quem vencer as eleições, ela também quer ''mudanças''. ''A esperança da gente é que melhore.''


