Santa Fé - O domingo foi atípico em Santa Fé (47 km ao norte de Maringá). Os 6.256 eleitores deixaram suas casas para participar de uma eleição fora de época: a escolha de um novo prefeito. O chefe anterior do Executivo municipal Pedro Brambilla (PMDB) foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), acusado de compra de voto e abuso do poder econômico. Três candidatos disputaram a preferência do eleitorado: Fernando Brambilla (PPS), João Mauro (PSDB) e Paulo Assaiante (PP).
Mesmo com a realização de uma eleição municipal, o clima na cidade não era propriamente de um pleito. Não há muros com propagandas e muito menos santinhos espalhados pelas ruas. Nem nas camisetas havia inscrição com o nome do candidato. Foram apenas dois locais de votação - Colégio Estadual Marechal Arthur da Costa e Silva e Escola Estadual Cecília Meireles - com 25 seções eleitorais. A maior movimentação ocorreu até o início da tarde e os eleitores chegaram a esperar alguns minutos na fila para votar.
O clima era de tranquilidade. Uma aposentada de 94 anos, cujo voto é facultativo, saiu da sua casa para comparecer às urnas. ''Não acho ruim votar, vim votar porque gosto e é uma obrigação nossa'', disse Iria Roncaglia, de 94 anos, que nunca deixou de votar.
A professora de informática Rita Aparecida Soledade Bedete também acredita que ''votar é um dever do cidadão'', mas considerou que a eleição de ontem foi um gasto desnecessário. ''Temos que cumprir nossa obrigação'', resumiu. Também na avaliação do professor Eder Tomazella a realização de nova eleição foi um gasto desnecessário. ''É um processo democrático, mas mostra que a corrupção ainda está presente na vida da população. Infelizmente, é uma necessidade'', afirmou. Mesmo com uma eleição diferenciada, ele comentou que houve ''muito barulho na cidade'', inclusive com insultos entre os candidatos às vésperas do pleito.
O trabalhador rural Tiago César Simardi votou ontem pela segunda vez em sua vida. ''Achei correta essa eleição. A cidade está com um clima mais sossegado, na outra (eleição) havia muita pressão'', comentou. O agricultor Ananias Marques Queiroz disse ter gostado dessa campanha eleitoral. ''Foi mais limpa, bem mais tranquila que as (campanhas) anteriores'', afirmou.
Entre os candidatos, pelo menos, havia uma unanimidade. Todos eles acreditavam na vitória. ''Estou bastante animado, as pesquisas indicam que estamos com vantagem sobre os demais'', afirmou Fernando Brambilla, que é filho do prefeito cassado Pedro Brambilla. Ele tem 25 anos e um mandato como vereador. ''O fato de o meu pai ter sido cassado não atrapalha em nada, é indiferente. Inclusive o seu processo ainda não foi julgado pelo Superior Tribunal Eleitoral e se ele ganhar essa eleição não vai valer nada'', comentou.
O candidato João Mauro também tinha boa expectativa. ''Confio que vou vencer. Encomendamos duas pesquisas e nas duas estávamos na frente'', observou. O agricultor já exerceu dois mandatos como vereador, de 97 a 2001 e de 2001 a 2004. Na última eleição, foi candidato a vice-prefeito na chapa que perdeu por apenas 23 votos de diferença para o prefeito cassado. Brambilla perdeu o mandato depois de denúncias da coligação da qual João Mauro era integrante.
O terceiro candidato, Paulo Assaiante, se apresentou como a ''terceira opção''. Até agora, só exerceu uma função pública: a de tesoureiro do município de Nossa Senhora das Graças, na administração de 77 a 83. ''É a primeira vez que sou candidato, não participava diretamente das eleições. Sempre são só dois candidatos e me apresento como uma nova opção, não sou ligado a nenhum grupo político'', comentou.

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