Cabrobó, PE - O presidente nacional da CPT (Comissão pastoral da Terra), dom Tomás Balduíno, 82 anos, sugeriu ontem a invasão dos movimentos sociais nas obras do projeto de transposição do rio São Francisco, caso elas sejam iniciadas pelo governo. ‘‘O MAB [Movimento dos Atingidos por Barragens] tem a estratégia de como imobilizar canteiros de obras’’, disse. ‘‘Não tenho informações de que isso vá acontecer na transposição, mas é uma possibilidade que pode ser estu-dada’’, afirmou.
  Balduíno apóia a greve de fome do bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio que está em greve de fome há dez dias pela revogação do projeto do governo federal de transposição do rio, e considera a atitude dele uma ‘‘bênção de Deus’’. ‘‘Com essa inspiração, ele está dando voz aos sem-vozes de Deus.’’
  O presidente da CPT considerou ‘‘grave’’ a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o jejum. Onteontem, em São Bernardo (SP), Lula disse que considerava ‘‘complicado’’ atender as reivindicações do bispo por abrir precedentes. ‘‘Causa grande estranheza essa insensi-bilidade’’, afirmou. ‘‘[Lula] Pode ter suas razões, mas, aqui, a razão é a vida’’, declarou. Segundo Balduíno, caso a greve de fome do religioso provoque algum tipo de seqüela, ‘‘a culpa será do Lula’’.
  Índios, católicos, evangélicos, agricultores, artistas populares e representantes de movimentos sociais de todos os Estados nordestinos solidarizaram-se ontem com o frei Luiz Flávio Cappio, no dia do aniversário de 59 anos dele, mesma data dedicada ao Rio São Francisco e à morte de São Francisco de Assis.
  Os fiéis e simpatizantes começaram a se concentrar, às 4h30, na praça da Igreja Matriz, centro de Cabrobó (PE). Em procissão, fazendo orações e carregando faixas de apoio a ele, os manifestantes seguiram até a Capela São Sebastião, localizada a quatro quilômetros da cidade, no Sítio Bela Vista, onde frei Luiz se instalou, disposto a levar até o fim o sacrifício, iniciado dia 26. Lá, o frei passou três horas atendendo aos visitantes, que, em fila indiana, aguardavam a vez de entrar na capela para receber a bênção.
  Em seguida, frei Luiz celebrou uma missa, ao lado do presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), d. Tomás Balduíno, e, por volta das 15h30, recomeçou a recepção aos visitantes. A Polícia Militar estimou um público de 2.500 pessoas. A maior parte veio do Sergipe e Bahia – Estados que não seriam beneficiados pela transposição –, mas todas as nove unidades da Federação nordestinas estavam representadas.

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