Conhecido por sua firmeza ao avaliar os políticos e a política nacional, o Arcebispo Primaz do Brasil e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Majella Agnelo, adotou ontem em Londrina, um tom mais reticente ao comentar o assunto. Ele estava na cidade para a posse do novo arcebispo de Londrina, Dom Orlando Brandes.
Dom Geraldo foi o último a chegar na entrevista coletiva, em que também estavam presentes o Núncio Apostólico no Brasil (que representa o Papa Bento XVI no País), Dom Lorenzo Baldisseri, Dom Albano Cavallin e o seu sucessor, Dom Orlando.
Questionado sobre a sua avaliação do momento político atual, Dom Geraldo foi breve na resposta e a interrompeu para falar sobre a escolha do novo arcebispo. ''Estamos atravessando um período bastante delicado para a história do Brasil, justamente que coincide com as próximas eleições para presidente. Essa corrupção geral nos traz grandes preocupações'', resumiu.
Perguntado novamente sobre política, Dom Geraldo retomou o tom reticente, que nas entrelinhas, deixava transparecer uma crítica à falta de ações sociais no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ''A gente tem uma grande preocupação porque está tudo meio parado, sem progredir nada politicamente, sem transformar essa vida de tantos que sofrem. A gente tem preocupação com essa imensidão de pessoas que estão abaixo da linha de pobreza e ainda não há medidas que sejam realmente transformadoras, promotoras de acordo com a dignidade humana. A gente espera que ele (Lula), que já teve uma experiência, que agora vá para frente e faça aquilo que ele sonhou e que não fique só no sonho. Se reeleito'', afirmou, sem revelar qual deverá ser a sua opção nas urnas. ''Eu vou votar em alguém, agora o voto é secreto e vou examinar a ele (Lula) e aos outros que se apresentam para a eleição'', disse.
Para Dom Geraldo, o foco do próximo presidente deve ser a ''promoção humana''. ''(O próximo presidente) não pode definidamente só depender da economia, deve depender da promoção humana do nosso povo mais carente, mais necessitado'', ressaltou.
A análise dos candidatos é uma das principais recomendações da CNBB para essas eleições, expressadas em uma cartilha lançada pela entidade em abril. ''Sobretudo para que se preparem para votar bem, que não venda o seu voto, que não se deixe corromper e não seja corruptor e que escolha pessoas que já tenham demonstrado no passado o que fizeram, se fizeram e o que fizeram e portanto, que não dê o seu voto a quem não vai mudar nada'', disse o cardeal.
A importância da escolha do voto também foi ressaltado pelo Núncio Apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baudisseri. ''Obviamente o princípio fundamental é o fato de que o povo tem que escolher políticos, gente honesta. Seja de um partido, de outro, mas que sejam verdadeiramente honestos, para que superem essa situação de corrupção que existe e que possam dar um crédito à gente que tem confiança, que querem verdadeiramente um governo que possa liderar bem um povo com honestidade.''
Dom Lorenzo também enfatizou o posicionamento contrário da Igreja em relação a ''padres-candidatos''. ''Padres participam como cidadãos, podem ajudar, mas entrar diretamente como candidatos está contra a lei da Igreja. São só casos excepcionais com a permissão do bispo é que pode acontecer isso, mas o padre tem que ficar padre. Um padre tem que ser pai de todos e não de um grupo, de um partido, isso significa divisão. Um padre tem que ser um ponto de referência de comunhão'', finalizou.

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