Brasília - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Majella Agnelo, criticou ontem uma possível tentativa de anistia do ex-deputado e ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. ''Já começa com anistia se não houve nem tempo, para alguém que tenha feito algo ilícito, não seja responsável e não tenha como dar uma resposta à sociedade'', disse dom Geraldo.
Sem citar Dirceu nominalmente, afirmou que a discussão da anistia, ao ser priorizada, atrasa temas mais urgentes da pauta nacional. ''Os problemas são tão grandes e variados que é fácil se dar atenção a um (caso da anistia a Dirceu), e colocar no esquecimento os demais. Sentimos que há necessidade de responsabilização muito maior do que o bem comum da sociedade'', afirmou dom Geraldo.
Envolvido no escândalo do mensalão, Dirceu teve o mandato de deputado federal cassado em 2005. Aliados do ex-ministro articulam sua anistia. Dirceu teria dito que não pretende articular a apresentação do projeto da anistia antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) se manifestar a respeito da denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza. O procurador-geral o acusou de chefiar a ''quadrilha'' do mensalão. Dirceu nega. Há previsão de que o STF só se manifeste em setembro
O presidente da CNBB também comentou o artigo da revista inglesa ''The Economist'', publicado nesta semana, que criticou o Congresso brasileiro, e cujo título é ''Câmara é Parlamento ou chiqueiro?''.
''As dificuldades que atravessam nosso Congresso não se encontram unicamente no Brasil. Em toda a parte do mundo há crise de autoridade. Partidos no mundo inteiro estão mais preocupados com seu grupo do que com o bem comum.''
Sem opinar sobre um valor salarial comum aos Três Poderes, dom Geraldo criticou os altos salários dos servidores públicos. ''Todos nós temos o direito de criticar, porque todos participamos como cidadãos e desejamos o bem do Brasil.''
O arcebispo defendeu a reforma política como solução para moralização do sistema partidário brasileiro. ''Ao pedir uma reforma política, penso que é um desejo de todo o país, de todos aqueles que têm preocupação para melhorar a vida do povo brasileiro e os princípios que norteiam as políticas em favor do país'', afirmou.

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