O doleiro de Londrina Alberto Youssef e o seu funcionário Paulo Cesar Stinghen aparecem na relação dos favorecidos com cheques administrativos da Prefeitura de Maringá, na auditoria encomendada por Gianoto. Até Youssef chegaram pelo menos 11 cheques. O primeiro emitido em 7 de março de 1995, no valor de US$ 369.516,31 (R$ 739.032,62) e o último, do período investigado pela Senior Auditores, em 20 de novembro de 1996. Este no montante de US$ 237.864,08 (R$ 475.728,16). Ao todo, só para Youssef, rastreou-se US$ 2.029.809,74 (R$ 4.059.619,48) em cheques. Para Stinghen, US$ 2.792.219,90 (R$ 5.584.439,80). Os valores dos cheques são variados e a quantidade de dólares foi obtida através da divisão do valor original do cheque pelo valor do dólar médio norte-americano do mês da emissão do cheque.
A relação dos favorecidos com os desvios confirma as ligações entre Youssef e Paolicchi. O doleiro de Londrina é acusado de movimentar R$ 120 mil na conta da empresa fantasma Freitas & Dutra, numa agência do Banestado. O dinheiro foi desviado de uma licitação irregular realizada pela Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), da Prefeitura de Londrina, na gestão do prefeito cassado Antonio Belinati. Em seu depoimento, em dezembro do ano passado, Youssef admitiu que recebeu dinheiro de Paolicchi, porém não revelou valores. Disse que contraiu empréstimos do ex-secretário, e que não sabia que o dinheiro vinha dos cofres públicos.
O pedido inicial de investigação, solicitado pelo ex-prefeito Gianoto à Senior Auditores, tinha uma abrangência maior. Gianoto queria um pente-fino nas finanças do município entre janeiro de 87 e dezembro de 96. Este período inclui o final da primeira gestão de Said Ferreira, e os mandatos completos do deputado federal Ricardo Barros (PPB) e Said Ferreira, respectivamente.
A iniciativa de Gianoto teve clara conotação política. O então prefeito pediu a auditoria em meio à crise. Já estava em andamento uma auditoria do TC, específica de sua gestão. Primeiramente estimou-se um rombo de R$ 20 milhões na sua administração. Depois, de R$ 36 milhões, e há cerca de três semanas anunciou-se R$ 54,3 milhões. (L.D.)

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