São Paulo - Na mais nova denúncia contra o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) - a sexta acusação, a sexta vez que ele vai para o banco dos réus -, a Procuradoria da República detalha ainda mais a complexa rede de lavagem de dinheiro utilizada pelo grupo do peemedebista e revela que, além do ex-governador, os doleiros que operavam para ele também mantinham relação "estreita" com a Odebrecht e chegavam a usar salas comerciais no Rio de Janeiro para "estocar" o excedente do dinheiro ilícito que movimentavam.

"Existiam no Brasil quartos que serviam como caixa-forte para guardar valores em espécie; estes quartos eram em salas comerciais espalhadas pela cidade de Rio de Janeiro e as utilizavam durante cerca de 1 ano", disse o delator Enrico Machado, dono de uma instituição financeira em Antígua que atuava no mercado paralelo e tinha o doleiro Vinícius Claret, o "Juca Bala" entre seus clientes.

O depoimento foi utilizado na denúncia para detalhar a atuação de "Juca Bala", o elo encontrado pela Procuradoria entre o Setor de Operações Estruturadas - nome formal do "Departamento de Propinas" da Odebrecht - e o ex-governador do Rio, acusado de receber US$ 3 milhões da empreiteira via transferências internacionais feitas pelo doleiro.

Enrico Machado fala sobre a atuação do grupo de "Juca Bala", preso na sexta-feira, 3, no Uruguai por determinação do juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Criminal Federal do Rio, e também denunciado nesta quarta-feira, 8.

O delator não especifica se eles valores "estocados" foram destinados a Cabral ou a outros integrantes do grupo do peemedebista. Enrico, contudo, relata que "Juca Bala" e seu sócio Claudio Souza atuam há mais de dez anos no mercado paralelo.

Monitorados
Segundo a versão do delator, "Juca Bala" e outros doleiros atuavam no Rio até 2002, mas decidiram se mudar para o Uruguai pois estavam "sendo monitorados".

Na ocasião, o responsável por abrir a empresa de fachada no país teria sido o advogado Oscar Algorta, denunciado pela Lava Jato em 2015 sob acusação de ter ajudado o ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró a lavar dinheiro na compra de um apartamento de R$ 7,5 milhões em Ipanema, na zona sul do Rio, em 2009.

A reportagem entrou em contato com o escritório que defende o ex-governador Sérgio Cabral e deixou recado, mas não houve retorno da defesa do peemedebista até o encerramento desta matéria.

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