Doleiros dão apoio ao esquema
Doleiros dão apoio ao esquema
Arquivo FolhaTuma: Fio da meadaO dinheiro sujo sai do Brasil através de operações realizadas por doleiros. Daí a importância das casas de câmbio no esquema. Muitas delas são montadas exclusivamente para este fim. A quebra do sigilo bancário pode não detectar imediatamente as operações, pois quase todas os doleiros que trabalham para o esquema têm contas fantasmas ou em nome de laranjas para realizar as operações.
Mas com a quebra do sigilo podemos encontrar o fio da meada nas investigações, diz o deputado Robson Tuma. No exterior, o dinheiro é depositado em diversas contas as chamadas contas seriadas, cujos números podem mudar até vinte vezes por dia, de acordo com as conveniências dos correntistas. Estes bancos têm cumplicidade com o esquema de lavagem. As operações realizadas por Maurício D. utilizariam bancos dos Estados Unidos, Itália, Croácia e outros paraísos fiscais, como as Ilhas Caymann.
Nestes países, o sistema bancário criou mecanismos para receber sem perguntar pela procedência e ocultar o dinheiro sujo. O dossiê sobre a organização de Maurício D., que está em mãos da CPI, relaciona números de contas, códigos de acesso, nomes de operadoras e bancos no exterior que operam no esquema. E relaciona também os nomes das pessoas que atuam nestes países gerenciando.
Pelo menos um destes nomes, rastreado pela CPI no Uruguai, já foi investigado pela Polícia Federal. Em Nova York, uma mulher que realiza operações também com o Banco do Brasil está sob investigação.
A organização lavaria US$ 55 milhões por mês. Em apenas uma das contas seriadas em um grande banco dos Estados Unidos, Maurício D. teria movimentado mais de meio bilhão de dólares do início deste ano até hoje.
O dinheiro retorna ao Brasil através de operações realizadas por empresas do exterior e bancos brasileiros. São operações dos chamados leasing brancos, empréstimos para empresas montadas aqui apenas para receber o dinheiro e, segundo denúncias que começam a ser apuradas, até nas privatizações. Neste último caso, o dinheiro sujo se associa no exterior com conglomerados interessados em comprar empresas que estão sendo privatizadas no Brasil. E volta limpo para o País.
A CPI tem em seu poder a cópia de uma conversa que teria sido mantida através da Internet entre Maurício D. e a representante da organização em Nova York. Na conversa, Maurício D. afirma que está envolvido no maior negócio da sua vida, a privatização do Banespa. O grupo já teria participado da privatização de pelo menos um banco no Brasil, com ramificações no sistema financeiro do Paraná.





