Curitiba - O doleiro Alberto Youssef depõe hoje cedo na 2 Vara Federal Criminal de Curitiba. O depoimento está marcado para começar às 9h30. Youssef, que está preso numa das celas da superintendência da Polícia Federal (PFL) de Curitiba desde o último dia 2, deveria falar em juízo na quarta-feira da semana passada, mas preferiu permanecer calado diante do juiz federal Sérgio Moro. Os advogados de Youssef alegaram que o prazo para a análise dos quase 30 volumes do processo foi insuficiente, e requisitaram ao juiz a realização de novo interrogatório. O pedido foi deferido.
O depoimento de hoje é fundamental para os advogados de defesa e também para os representantes do Ministério Público (MP) federal, autor do pedido de prisão. Na semana passada, os advogados de Youssef já haviam adiantado que pretendem recorrer da prisão em Porto Alegre, onde fica a sede do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região. Além de questionar a competência da 2 Vara em atuar como órgão especializado em crimes contra o sistema financeiro, a defesa quer levar o caso para julgamento em Foz do Iguaçu, onde tramitaram diversos inquéritos desencadeados pela PF na região da fronteira, na investigação que ficou conhecida como Operação Macuco. Ou então para Londrina, onde as investigações de sonegação foram iniciadas através da Receita Federal. Até ontem, nenhuma medida judicial havia sido ingressada no TRF.
A prisão preventiva de Youssef foi decretada pela 2 Vara Federal Criminal de Curitiba no dia 28 de outubro. Bem como a de seu cunhado, Eroni Miguel Peres, e de Paulo César Stinghen. Youssef foi preso em Londrina, no Dia de Finados, por volta do meio-dia, quando saía do Cemitério Parque das Oliveiras. Peres e Stinghen, sócio-proprietários da empresa Proserv Assessoria Empresarial S/C Ltda, ainda não foram presos, de acordo com a Justiça Federal. A Proserv, alega o MP federal, seria uma empresa de ''fachada'' utilizada pelo doleiro para remessa de divisas ao exterior.
O processo elaborado pelo MP federal inclui nove acusações contra Youssef, sendo quatro crimes de ordem tributária, três contra o sistema financeiro nacional, crime de formação de quadrilha e crime de falsidade ideológica. Ele é acusado de sonegar R$ 118 milhões em impostos, que deveriam ter sido pagos pela Youssef Câmbio e Turismo, uma agência de câmbio de sua propriedade entre 1996 e 1999; de envio de mais de R$ 30 milhões ilegalmente ao exterior através de contas CC-5 (para não-residentes no País); e de movimentar pelo menos US$ 3 milhões em uma conta de sua cunhada, Cristina Fernandes da Silva, na agência do Banestado em Nova York.
A 2 Vara Criminal Federal já acatou denúncia contra Cristina. E também contra Celso Cornélio Filho, contador que teria forjado declarações de rendimentos de Cristina, a fim de amparar a movimentação financeira da conta.
O doleiro também é acusado em outros processos de crimes de lavagem de dinheiro em andamento, entre eles desvio dos cofres públicos dos municípios de Maringá e Londrina e da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Youssef foi filmado pelo circuito interno de uma agência bancária em Curitiba participando de uma transação referente à compra de créditos indevidos da Olvepar pela Copel.

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