O doleiro e empresário londrinense Alberto Youssef, acusado de movimentar R$ 120 mil desviados da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), deixou ontem a carceragem do 3º Distrito Policial (DP), juntamente com seu cunhado Eroni Miguel Peres e o segurança Antonio Carlos Neri Romero. O alvará de soltura emitido pela Vara de Execuções Penais (VEP) chegou ao 3º DP às 11h30. Youssef saiu meia hora depois em um Corsa vinho, estacionado no pátio do distrito, em um local reservado à viaturas policiais.
Youssef, seu cunhado e o segurança estavam presos há nove dias, depois que se apresentaram ao delegado Carlos Marcelo Sakuma. Em dezembro Youssef chegou a ficar 17 dias preso também no 3º DP e saiu quando o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná concedeu uma liminar. Ele voltou a ser detido após o TJ julgar o mérito do habeas-corpus para o doleiro.
Peres e Romero estavam foragidos desde cinco de dezembro, quando a Justiça decretou a prisão dos envolvidos, por solicitação do Ministério Público. Anteontem, os três obtiveram o direito de responder ao processo em liberdade por decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Fernando Gonçalves, que concedeu habeas-corpus em caráter liminar aos acusados.
A intenção dos advogados de defesa era libertar Youssef anteontem. Na terça-feira à noite, a advogada Desirée Gomes (mulher do advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho), não escondeu a irritação com a dificuldade em conseguir o alvará de soltura. Ontem o juiz da 4º Vara Criminal, Arquelau de Araújo Ribas (responsável pelo processo), disse que estava em Londrina e, caso tivesse sido procurado, atenderia a advogada.
O advogado João Gomes não polemizou sobre o tempo para a expedição do alvará de soltura. Segundo ele, o importante foi conseguir a liberdade para seu cliente. Ele disse ainda que a concessão da liminar representou o restabelecimento do estado democrático de direito.
João Gomes também questionou a prisão de Youssef. ‘‘É preciso refletir sobre o que R$ 120 mil significam num rombo que o Tribunal de Contas limitou em R$ 113 milhões. Pelo que vi na imprensa o Alberto passou a ser resposta por 2 anos e meio de aviltação dos cofres públicos’’, discursou. Ele se referia ao relatório do TC, que apurou que irregularidades na gestão do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) somam R$ 113 milhões.
O advogado também ironizou a forma como o MP tomou o depoimento dos funcionários do Banestado, que acusaram Youssef pela movimentação de contas fantasmas e disseram que estavam se sentindo ameaçados. Os funcionários depuseram em conjunto na chácara do MP em Londrina.
Segundo João Gomes disse que tem 12 anos de advocacia, mas não tinha resposta para esse procedimento. Segundo o promotor Bruno Galatti, um dos responsáveis pelas investigações, o MP adotou essa alternativa porque todos estavam se sentindo ameaçados e só concordaram em prestar informações se falassem ao mesmo tempo. Galatti disse ainda que o depoimento ocorreu na presença dos advogados dos funcionários.

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