Doleiro uruguaio se contradiz em CPMI
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terça-feira, 11 de outubro de 2005
Eugênia Lopes e Luciana Nunes Leal<br> Agência Estado 
Brasília - Em depoimento à CPI dos Correios marcado por muitas contradições e evasivas, o doleiro uruguaio Najun Turner, depois de se dizer muito amigo do também doleiro Antônio Claramund, o Toninho da Barcelona, negou que tenha revelado um suposto pagamento de R$ 8 milhões feito pelo PT ao ex-deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) em troca de apoio ao governo Lula. O teor da conversa tinha sido revelado por Toninho da Barcelona em depoimento fechado à CPI. Turner, por sua vez, revelou que ouviu de Toninho da Barcelona o comentário de que fez empréstimo a um político. O uruguaio recusou-se, porém, a revelar o nome que diz ter ouvido do amigo. Toninho da Barcelona e Najun Turner cumprem pena por crimes contra o sistema financeiro e dividiram a mesma cela durante algumas semanas, no início de junho deste ano.
Para mostrar a amizade com Toninho da Barcelona, que teria se fortalecido na cadeia, Turner disse que o chama ''carinhosamente'' de Bimba e mostrou uma carta escrita pelo amigo, agradecendo o apoio. Quando o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), citou a revelação de Toninho da Barcelona sobre os R$ 8 milhões, o uruguaio respondeu: ''Não procede. Se eu até o momento considerava ele um amigo, agora desejo para ele toda felicidade do mundo, mas fico estarrecido.'' Turner disse que Toninho ''não está em seu equilíbrio emocional''.
Turner foi convocado pela CPI na tentativa de esclarecer a origem do dinheiro distribuído pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza em um milionário esquema de caixa 2 montado para abastecer políticos do PT e de partidos aliados.
Segundo Turner, no processo contra Toninho da Barcelona na 6 Vara Federal de São Paulo, há uma gravação do doleiro falando com um funcionário de sua empresa, a Barcelona Tour, sobre a dívida de um político. ''Ele me falou o nome, mas deve-se perguntar a ele. Não devo comentar um segredo'', disse Najun Turner. Cobrado pelo relator para dar mais detalhes sobre o que sabia em relação de dinheiro repassado a políticos, o doleiro lembrou que é judeu e citou o livro sagrado de sua religião: ''Uma palavra vale uma moeda. O silêncio vale duas.''
Uma das contradições de Turner foi dizer, inicialmente, que ouviu apenas o depoimento do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), em uma rádio AM, na prisão. Meia hora depois, porém, citou trechos do depoimento de Toninho da Barcelona que disse ter ouvido no presídio.
Outra contradição foi em relação à corretora Bônus Banval, que repassou dinheiro do caixa 2 de Marcos Valério a políticos do PP. Turner disse ser ''muito amigo'' do dono da corretora, Enildo Quadrado, mas que nunca fez operações financeiras com a Bônus Banval. Depois, disse que operou na Bônus Banval para a empresa Natimar, do argentino Carlos Quaglia.
Os integrantes da CPI suspeitam que Quaglia seja um laranja de Najun Turner, supostamente o verdadeiro dono da Natimar. O doleiro uruguaio disse que trabalhou durante muito tempo como consultor de Quaglia, indicando as melhores operações a serem feitas no mercado financeiro. Sobre depósitos feitos pela Natimar na conta da mulher e do filho de Turner, Deusa Maira da Costa Silva e Uri Flato, o doleiro afirmou que foram pagamentos de dívidas que Quaglia tinha com ele. No total, a CPI tem informações sobre depósitos de R$ 123,8 mil. ''Ele (Turner) sabe mais sobre a Natimar do que o proprietário da empresa'', disse Fruet.
Najun Turner negou conhecer o empresário Marcos Valério e chegou a irritar o sub-relator Gustavo Fruet (PSDB-PR) ao afirmar, sobre as operações com a Bônus Banval: ''Não tem nada com Valério, com Marcos, com Fu Man Chu.''


